18 de junho de 2016
Por: Comunicação


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Delegação de 19 trabalhadoras e trabalhadores da Seção Ifes participa das atividades e dos atos promovidos em Brasília

Um dia depois da grande manifestação que ocorreu na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e abriram o II Encontro Nacional de Educação (ENE), os debates do evento começaram na manhã desta sexta-feira, 17, na Universidade de Brasília (UnB). Mais de duas mil pessoas, entre elas a delegação de 19 trabalhadoras e trabalhadores da Seção Ifes, assistiram à mesa de abertura do Encontro, que teve como tema “Por um Projeto Classista e Democrático de Educação, Contra o Ajuste Fiscal e a Dívida Pública”.

WhatsApp-Image-20160617Durante a tarde foram realizados os Grupos de Trabalho (GT) sobre os seis eixos do evento: 1) Gestão; 2) Financiamento; 3) Avaliação; 4) Trabalho e Formação dos Educadores; 5) Acesso e Permanência; 6) Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Questões Étnico-raciais. Os representantes da Seção Ifes estão distribuídos por todos os eixos.

A sistematização dos debates será feita pela Comissão Organizadora do II ENE, que levará o material à Plenária Final da tarde deste sábado, 18 de junho, quando o Encontro será encerrado.

Ajuste fiscal

A mesa de abertura desta sexta-feira, 17, contou com a participação de Mauro Puerro, da Secretaria Executiva Nacional (SEN) da CSP-Conlutas e representante do Comitê Nacional “Em defesa dos 10% do PIB para a educação pública, já!”. Ele abordou a relação da dívida pública com o ajuste fiscal e citou diversos cortes de orçamento em áreas sociais, realizados no governo de Dilma Rousseff e de Michel Temer, avaliando que a motivação dos cortes é aumentar a destinação de recursos públicos para a dívida pública.

13418809_704247393049846_273741073155626620_nO dirigente da CSP-Conlutas então explicou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/2016, o qual caracterizou como um conjunto de medidas que favorecem o pagamento da dívida pública e retiram direitos dos trabalhadores, em um primeiro momento dos servidores públicos de todas as esferas e, posteriormente, de toda a classe trabalhadora, ao suspender o aumento real do salário mínimo.

Puerro citou, também, dois pontos do PLP que beneficiam diretamente os empresários em detrimento dos trabalhadores. São eles: a alteração da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para transformar o estado brasileiro em uma espécie de segurador para investimento de empresas a nível nacional e internacional; e a transformação da sobra de caixa de banco em títulos da dívida pública, remunerando duplamente os banqueiros.

Para Mauro Puerro, as greves de servidores públicos estaduais de norte a sul do país, e as ocupações de escolas e universidades, são a demonstração do crescente repúdio da classe trabalhadora a essa lógica política e econômica. Ele encerrou sua fala conclamando os presentes à organização política para lutar contra retirada dos direitos, citando o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) apresentado essa semana pelo governo interino, que traz um limite de gastos sociais para o orçamento da união, estados e municípios.

WhatsApp-Image-20160617 (1)Chile

A mesa também contou com a fala de José Villarroel, estudante chileno e representante do Centro de Estudantes de Sociologia da Universidade Alberto Hurtado. Ele começou sua intervenção dizendo que sua universidade, assim como muitas outras instituições privadas do Chile, está em greve há três semanas e ocupada há uma semana. Então, rememorou o processo de lutas estudantis no Chile, que vem desde 2006, com as chamadas “Revoluções dos Pinguins”, e grandes ocupações de escolas.

De acordo com José, uma carreira de ensino superior no Chile custa, tanto em universidades públicas quanto privadas, em torno de R$ 60 mil, e, com a política de crédito estudantil, chega a R$ 80 mil. “Os chilenos se formam, e trabalham até os 40, 50 anos, para poder pagar por sua educação. É por isso que os estudantes chilenos lutam há dez anos, realizando manifestações massivas todos os anos”, disse o estudante.

Educação

Olgaíses Maués, diretora do ANDES-SN e também representante do Comitê Nacional “Em defesa dos 10% do PIB para a educação pública, já!”, focou sua fala na situação da educação brasileira. A docente criticou Mendonça Filho, ministro da educação do governo interino, por ocupar a pasta sendo alheio à área, demonstrando o caráter de negociata dos cargos. Ela citou, também, diversas medidas neoconservadoras, que tem demonstrado retrocesso social, como o Projeto Escola Sem Partido, a negação do uso do nome social e a lei antigreve.

WhatsApp-Image-20160617Para Olgaíses, o ENE é espaço prioritário para dar voz às críticas à educação brasileira e construir um novo projeto, democrático e classista, de educação pública. Para ela, os últimos governos tiveram como projeto de educação a privatização, primeiro com foco no nível superior, e, agora, também aprofundando a privatização na rede básica – exemplo disso é o dado de que 74% das matrículas em ensino superior são em instituições privadas.

A priorização de recursos públicos para a educação privada, diz Olgaíses, também pode ser exemplificada por meio do Programa Universidade Para Todos (Prouni), que, só em 2015, destinou R$ 1 bilhão à educação privada por meio da isenção de impostos, e do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) que, no mesmo ano, repassou R$ 15 bilhões à educação privada por meio de empréstimos de dinheiro público a estudantes.

Com informações do II ENE, Sinasefe Nacional e edição da Ascom da Seção Ifes

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