7 de maio de 2012
Por: Haroldo Lima


Homens e mulheres do campo e da cidade se uniram na 13ª Marcha pela Vida e Cidadania que marcou o Dia Mundial do Trabalhador e da Trabalhadora em Flexal II, em Cariacica, nesta terça-feira, 1º de maio. Longe das festas promovidas pelas elites, que descaracterizam a data histórica para a classe trabalhadora, integrantes das Pastorais Sociais da Igreja Católica, da Igreja Luterana, da Via Campesina, do Fórum de Mulheres, da Intersindical, do Sindicato dos Bancários/ES, da Consulta Popular, do MST, do Movimento dos Pequenos Agricultores, do Sindisaúdeprev, do Sindipúblicos, do Sindilimpe, do Sinasefe, da Famopes, da Famoc, da Assembleia Popular e do Levante Popular da Juventude tomaram as ruas do bairro pobre de Cariacica para denunciar o abandono a que o povo está exposto.

O primeiro bloco da marcha foi composto por sindicalistas e reivindicou mais e melhores empregos; igualdade de gênero, raça e orientação sexual; estatização do Sistema Financeiro. No segundo bloco, que trouxe o tema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, estavam membros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Pastoral Operária e Pastoral da Saúde. O terceiro bloco – “Alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos são direitos dos trabalhadores do campo e da cidade” – reuniu a Pastoral da Criança, Pastoral da Juventude, entidades que trabalham com medicina alternativa, Movimento dos Sem-Terra e Movimento dos Pequenos Agricultores.

“Hoje, no mundo todo e aqui em Flexal, os trabalhadores estão unidos para mostrar sua indignação com essa ditadura da economia. O capitalismo não interessa à classe trabalhadora. Quem está empregado sofre com os baixos salários, com as metas abusivas. E milhões de pessoas não têm garantido sequer o direito ao trabalho. Não há o que comemorar quando constatamos que o Governo Dilma, o Governo Casagrande e os governos dos municípios não priorizam as políticas públicas para a população. Precisamos construir um novo mundo, sob a ótica da classe trabalhadora”, afirmou Carlos Pereira de Araújo, o Carlão, que falou em nome do Sindicato dos Bancários/ES e da Intersindical.

Na avaliação de Agnaldo Rodrigues da Vitória, membro da Pastoral Operária, um dos principais problemas constatados hoje é o grande número de trabalhadores que estão no mercado informal. “A realidade dos trabalhadores é crítica. Quem está na informalidade não tem direito algum. Então, nosso grande desafio é buscar retirar essas pessoas da informalidade”, afirma. Ele destaca que outros problemas sérios estão relacionados à precariedade nas áreas de educação e à saúde.

Energia e muita garra

Antes de iniciar a marcha, os manifestantes fizeram um ritual de reconhecimento dos elementos da natureza – o sol, as nuvens e o vento – como fonte de energia para a caminhada em busca de um novo mundo. No percurso de aproximadamente dois quilômetros, as pastorais e o Levante da Juventude entoaram músicas que falam da luta do povo e do direito à saúde, foco da Campanha da Fraternidade 2012.

“Essa caminhada tem um significado profundo, é uma caminhada em defesa da vida, da dignidade, da paz, numa região tão discriminada como a nossa”, afirmou o Padre Roberto Natal, da Paróquia São Francisco, Porto de Santana e Flexal.

Histórico

A Marcha pela Vida e Cidadania chega ao 13º ano com a força dos movimentos sindical, popular e religioso. A primeira edição da Marcha aconteceu em 1999, quando as pastorais da Paróquia Bom Pastor, em Campo Grande, marcharam até a Câmara Municipal de Cariacica. O objetivo era denunciar os desmandos que aconteciam no município. A partir dessa articulação surgiu o Fórum Reage Cariacica, que inspirou o Fórum Reage Espírito Santo, no Governo José Ignácio. “É muito bacana ver a Marcha fortalecida treze anos depois, apesar de todos os desafios, enfrentamentos, inclusive dentro da Igreja. É bom ver o povo perseverar”, afirma o Padre Kelder Brandão, um dos organizadores da primeira marcha.

Reprodução via Bancários-ES.

608 View