17 de setembro de 2012
Por: Haroldo Lima


A categoria rejeitou o índice de 6% de reajuste e quer avanços também em outros pontos da pauta.

Reunidos em assembleia na noite desta quarta-feira, 12, no Centro Sindical, em Vitória, os bancários capixabas decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira, dia 18. Nesta segunda-feira, 17, acontece uma nova assembleia para organização da greve. Será às 18h30, no Centro Sindical.

A paralisação é uma orientação do Comando Nacional dos Bancários em resposta à posição da Fenaban que, na negociação do dia 4 de setembro, não cumpriu o acordo de apresentar nova proposta aos trabalhadores. Os bancários consideraram insatisfatório o índice de reajuste salarial proposto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) – apenas 6% – e também querem avanços na negociação das demais pautas.

“Os bancos têm apresentado lucros cada vez maiores, obtidos a partir do trabalho de seus funcionários, mas sequer aceitam negociar as reivindicações da categoria. Isso é um desrespeito. Agindo dessa maneira, os bancos não nos deram outra opção além da greve”, afirma o coordenador geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

Além da questão econômica (os bancários querem reajuste salarial de 10,25%), os bancos também não aceitam avançar em outras reivindicações, como o fim das demissões imotivadas. “Mesmo com lucros altíssimos, bancos como o Itaú estão demitindo trabalhadores em todo o país”, lembra Carlão. Outras reivindicações são contratação de mais funcionários, respeito à jornada de 6 horas de trabalho, fim da terceirização, fim das metas e do assédio moral, mais segurança para funcionários e clientes, entre outras.

Nos bancos públicos, a intransigência patronal também é evidente. “Em três rodadas de negociação, a Caixa não aceitou reivindicações importantes dos empregados. A isonomia de direitos entre os bancários admitidos antes e após 1998 é uma das nossas bandeiras nesta Campanha Salarial”, lembrou Renata Garcia, bancária da CEF e diretora de Formação do Sindicato.

“No Banco do Brasil, a situação não é diferente”, relata Derik Bezerra, diretor de Cultura do Sindicato e bancário do BB. Ele destaca que a estratégia dos bancos federais é aguardar a negociação com a Fenaban para tratar das pautas específicas. “Mas o que está em jogo são nossas vidas, nosso trabalho. Temos que estar mobilizados e sermos os protagonistas dessa história”, convocou Derik.

Para Jessé Alvarenga, secretário geral do Sindicato e bancário do Banestes, neste ano os funcionários do banco estadual não podem aceitar fechar acordo sem discussão da pauta econômica específica. Os banestianos acumulam perdas superiores a 40%. “O Banestes, por enquanto, garantiu apenas que vai cumprir a Convenção. O momento, portanto, é de adesão em massa à greve para fortalecer a mesa de negociação”, afirmou.

No Bandes, as negociações ainda não começaram. “Entregamos a pauta específica no final de agosto, mas até agora não houve negociação. Estamos vindo de campanhas vitoriosas, com adesão dos funcionários do Bandes à greve. Temos que continuar nesse caminho”, afirmou Ivaldo Rosa Albano, diretor do Sindicato.

MUDANÇA NA LEGISLAÇÃO

Além da greve, os bancários aprovaram a apresentação de um termo de compromisso aos candidatos a prefeito de Vitória para proposição de alteração da Lei 5086/2000, que trata do Código de Limpeza Pública. Nas duas últimas campanhas salariais, a Prefeitura de Vitória utilizou essa lei para multar o Sindicato por afixação de cartazes sobre a greve nas agências.

“Os cartazes têm o objetivo de informar os clientes sobre nossa paralisação e mobilizar os bancários. Essa é uma garantia prevista na Lei de Greve. Queremos o compromisso dos candidatos a prefeito de que a proposta de adequação da lei municipal à Lei de Greve será encaminhada à Câmara Municipal”, afirmou o coordenador do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo.

Fonte: Sindicato dos Bancários

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