7 de agosto de 2009
Por: Haroldo Lima


debate12O Segundo dia do V Seminário Nacional de Educação do Sinasefe teve início com a mesa redonda “Educação e Transformação Social”. O tema foi debatido pelo professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Maurício Abdalla, pela também professora da Ufes; Gilda Cardoso de Araújo e pelo coordenador da pasta de política educacional do Sinasefe; Ricardo Velho.

Um dos assuntos abordados por Gilda foram exames de abrangência nacional, como Prova Brasil, Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), Enade e Saeb. De acordo com a professora, esses exames desconsideram os processos educativos e valorizam apenas os resultados obtidos. “Coisas como a inclusão de pessoas com deficiência, redução da evasão escolar e outros aspectos de extrema importância não são abordados na hora de avaliar a qualidade de ensino. Através desses exames o que se faz é um rankiamento, dizer quais são as melhores e as piores escolas se pautando somente no resultado das provas”, explica.

Segundo Ricardo Velho, a política de educação deve pensar de que forma a educação pode contribuir para uma sociedade melhor. Ele lembrou a fala da professora Lúcia Maria Wanderley Neves, que fez a palestra de abertura do seminário. Na ocasião ela falou que o presidente da França, Sarkozy, defendeu a idéia de que é preciso redefinir o capitalismo. “Isso mostra que o capitalismo está em crise. As pessoas perceberam que o capitalismo explora, massacra, que quem sai perdendo são os trabalhadores. Por isso, ele está sendo muito discutido”, diz Ricardo.

O palestrante acredita que, nesse contexto de mudanças, torna-se profícuo o debate em sala de aula sobre formas alternativas ao capital. “É preciso construir experiências para além do capital, incorporar os estudantes, a comunidade externa, criar espaços de construção de poder”, afirma. O professor Maurício Abdalla enumerou quatro pontos necessários para haver transformação social: compreensão crítica da sociedade, ter um projeto de sociedade alternativo, estratégia para ruptura e implantação de um novo modelo e discutir o papel da educação nessa ruptura.

De acordo com Abdalla, não reproduzir a ideologia dominante é ir muito além do conteúdo dado em sala de aula. “Tem gente que acha que lutar contra a ideologia dominante é simplesmente dizer que Cabral invadiu o Brasil ao invés de falar que ele descobriu. A educação é mais do que conteúdo. Ela reflete em todo ambiente escolar. Muitos se preocupam em não reproduzir a ideologia dominante no conteúdo da disciplina, mas não percebem que, dentro da própria escola, os alunos a reproduzem por meio de atitudes egoístas e agressivas”, explica o palestrante.

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