4 de maio de 2013
Por: Comunicação


O déficit na oferta do ensino médio no Brasil não deixa dúvida sobre a necessidade de expansão da rede dos Institutos Federais. Entretanto, durante o Encontro Regional Sudeste do Sinasefe, no campus Serra, técnicos administrativos e professores da rede colocaram em questão as condições em que a rede está se expandindo e a qualidade do serviço que tem sido oferecido.

Arcary e Leite debatem os desafios da expansão dos institutos federais

Em 10 anos, o número de Institutos Federais no Brasil passou de 140 para 354 unidades. “Os dados do Tribunal de Contas da União indicam que atualmente faltam 8 mil professores na rede. Não podemos aceitar esse tipo de expansão. Precisamos dizer um basta a essa política”, defende o professor do Instituto Federal de São Paulo, Valério Arcary, que participou da mesa “Expansão da rede X precarização: desafios para oferta de um ensino de qualidade”, que aconteceu no segundo dia de encontro.

A constatação é que a expansão, feita de maneira desordenada e impositiva, gerou uma sobrecarga do trabalho dos professores e servidores. “A política de expansão é popular fora dos institutos, mas dentro não. Quem antes tinha duas disciplinas, hoje tem cinco. Nunca se trabalhou tanto”, descreve Arcary.

Déficit educacional

Para o professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná Domingos Leite Filho, outro palestrante a participar da mesa de discussão, o Brasil chega à segunda década do século XXI com um cenário educacional preocupante, com a ausência relevante de jovens e adultos na escola.

Os dados apresentados por ele, com base em estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de 2011, indicam que mais de 50% de brasileiros com idades entre 15 e 17 anos não frequentam o ensino médio. Mais de 70% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos, que concluíram o ensino médio, não estão na universidade. “O índice é bem pior se consideramos todos os jovens e não somente os que concluíram o ensino médio. Neste caso, somente 9% deles estão na universidade”, destaca.

Na avaliação do professor, para além da evidente necessidade de se abrir mais escolas, é preciso que a classe trabalhadora se organize para disputar um projeto de escola e de educação que garanta autonomia e desenvolvimento do ser humano.

“A expansão é de interesse da sociedade e da classe trabalhadora. Mas trata-se de um interesse em disputa. Da forma como ela está sendo conduzida, ela não leva à materialização de uma educação de qualidade”, avalia.

O Pronatec, Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, foi usado como exemplo de precarização do ensino profissionalizante e de ferramenta utilizada pela burguesia para impor seu modelo de educação. Segundo Leite, por meio do programa, há transferência de recurso público para o setor privado ofertar uma educação acelerada e compartimentada. “Esse é um programa que não vai levar a classe trabalhadora à educação de qualidade que ela precisa para transformar a sociedade”, alerta.

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