25 de outubro de 2012
Por: Haroldo Lima


É uma história cruel. A imposição de tamanho sofrimento a um povo que, por isso, a única saída vislumbrada é a morte.

Uma carta está sendo divulgada pelos índios Guarani Kaiowá desde que souberam que perderiam suas terras devido a uma ordem de despejo expedida pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul. “Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay”, denuncia a carta

Ao escrever esse texto, os índios Guarani Kaiowá expõem a trágica penúria a que estão submetidos. Dão um grito expresso em um pedido desesperado de socorro. São eles 170 indígenas, 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças, que vivem à beira do rio no município de Iguatemi (MS) ameaçados por polícia e por pistoleiros a serviço dos fazendeiros da região.

“Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais”, diz a carta.

Não, isto não é suicídio coletivo. É genocídio!  Leia mais.

No dia 19, cinco mil cruzes foram colocadas no gramado da Esplanada como protesto em defesa dos índios Guarani Kayowá

De acordo com matéria publicada pela Época, a cada seis dias, um jovem Guarani Kaiowá se suicida: “Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos”.

Relatório do Ministério da Saúde divulgado neste ano, informa que desde 2000, aconteceram 555 suicídios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos.

Para se ter idéia do disparate dessas mortes, basta comparar: no Brasil, o índice de suicídios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os indígenas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o índice de suicídios entre os Guaranis Kaiowás chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. “Os pesquisadores acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que parte dos suicídios é escondida pelos grupos familiares por questões culturais”, afirma a matéria da Época.

Além dos suicídios, as lideranças desses indígenas são marcadas pelos assassinatos. Mais de 20 já morreram pelas mãos de pistoleiros a mando dos latifundiários da região. Isto porque grupos de Guaranis Kaiowás abandonaram o confinamento das reservas e passaram a ocupar terras, fundos de fazendas, que antes eram suas. É uma luta sem tréguas pela retomada do território e do direito à vida.

É urgente apoiar a luta dos Guaranis Kaiowás. É urgente denunciar essa genocídio contra os povos indígenas brasileiros. O governo Dilma Rousseff precisa intervir imediatamente contra essa tamanha violência que agride os Direitos Humanos. Os índios Guarani Kaiowá estão submetidos aos assassinatos, suicídios, aos álcool pela desesperança, à doenças, à fome. Estão submetidos à morte pelo descaso de recorrentes governos e pelo apoio incondicional dado aos grandes fazendeiros gananciosos e assassinos desse país.

O governo Dilma Rousseff não pode repetir o que fizeram os governos anteriores ao fechar os olhos para esses crimes e se aliar aos fazendeiros. Medidas urgentes precisam ser tomadas. A CSP-Conlutas se levanta nesta luta dos índios Guarani Kaiowás em defesa de suas terras, de sua cultura, em defesa da vida.

Fonte: CSP Conlutas.

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