26 de outubro de 2016
Por: Comunicação


Ato contou com aulão aberto sobre a PEC 241 e manifestantes cantaram contra as medidas de retrocesso propostas pelo Governo Federalimg_7896

Os estudantes do Ifes e secundaristas da rede estadual protagonizaram um grande ato na segunda-feira, 24, em Vitória reunindo oito mil pessoas. Além dos alunos, estiveram na manifestação, apoiando o movimento, trabalhadoras e trabalhadores do Instituto Federal, representantes de diversas entidades e movimentos sociais e muitos cidadãos que juntos mostraram seu posicionamento contrário à PEC 241 e à MP do Ensino Médio.

A concentração aconteceu na praça de Jucutuquara e os manifestantes saíram em passeata rumo ao Palácio Anchieta, no Centro de Vitória. O Sinasefe Seção Ifes apoiou o movimento fornecendo estrutura de transporte, material gráfico, trio elétrico e água, sempre respeitando o protagonismo dos alunos que realizaram a gestão do ato e definiram trajeto, horário, falas no microfone, entre outras questões relacionadas à organização. Diversos diretores do Sindicato participaram.img_7880

Durante o trajeto a manifestação foi agregando mais pessoas no caminho e já juntava uma multidão a perder de vista na subida da Curva do Saldanha. Nesse momento, alunos do Colégio Estadual fizeram um protesto nas entradas da escola e a ocuparam. No ápice do ato os organizadores estimaram a presença de até 8 mil pessoas.

A multidão seguiu pela avenida Jerônimo Monteiro em direção ao Palácio Anchieta aos gritos de “ai, ai, ai,ai, se lutar a PEC cai”, “1, 2, 3, 4, 5, mil, se não parar a PEC nós paramos o Brasil” e “a nossa luta unificou, é estudante junto com o servidor”, entre outros, avançando em direção ao Palácio Anchieta com cartazes que traziam palavras de ordem contra a PEC 241 e seus efeitos nocivospara a Educação, Saúde e outras áreas, assim como contra a MP do Ensino Médio, considerada uma contrarreforma e um retrocesso impostos sem debate. Além disso, o projeto “Escola Sem Partido”, que busca calar as discussões que são feitas no ambiente escolar, também foi alvo de críticas.img_7962

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Aulão

Antes de chegar à sede do Governo Estadual, os estudantes, servidores e todos os participantes do ato sentaram na pista da avenida Jerônimo Monteiro, na altura da praça Oito, para ouvir uma aula do professor de matemática do Ifes Vitória Antônio Henrique Pinto. Ele falou sobre a PEC 241 e os efeitos nocivos do congelamento por 20 anos dos recursos, proposto pelo governo de Michel Temer, para Educação, Saúde, Assistência e outras áreas.

Na sequência os estudantes tomaram a escadaria do PalácioAnchieta e as entidades presentes fizeram falas curtas com críticas ao Governo Temer, à PEC 241, à MP do Ensino Médio, ao projeto “Escola sem Partido”, e ao governo do Estado por conta de sua política privatista da educação estadual. Foi demonstrado, ainda, apoio às ocupações das escolas em todo o Estado e no Brasil e às lutas que estão sendo travadas paraimpedir os retrocessos na Educação.img_8016

Repercussão

Rapidamente a realização do ato ganhou grande repercussão nas redes sociais e o movimento contagiou a rede com inúmeros compartilhamentos de fotos, vídeos e manifestações de apoio aos estudantes.

A imprensa também esteve em peso na cobertura da manifestação. Alguns veículos preferiram tentar desqualificar o movimento, focando apenas no congestionamento, invertendo a leitura do acontecimento e optando por destacar o menos importante diante da urgência da discussão sobre a PEC 241 e da MP do Ensino Médio, negando-se a dar destaque ao contraditório, uma vez que defendem as medidas do Governo e atuampublicitariamente a seu favor. O tamanho e importância do ato, entretanto, não pode ser escondido.img_8067

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Por que a PEC 241 é ruim?

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, enviada à Câmara dos Deputados pelo presidente Michel Temer, congela os investimentos na Educação, Saúde, Assistência Social, Segurança, Ciência e Tecnologia, e outras áreas, que ficarão 20 anos sem aumento real. Ela também é conhecida como “PEC do Fim do Mundo” ou “PEC do Teto”.

O Brasil chegará a 2037 com o caixa cheio, mas com uma população empobrecida, sem acesso a serviços básicos de Saúde e Educação e sem perspectiva de ascensão econômica, aumentando a desigualdade e, possivelmente, a violência urbana. Quem é rico vai ficar ainda mais rico. A classe média e os pobres pagarão cada vez mais impostos sem receber serviços públicos que, em pouco tempo, se tornarão inviáveis, uma vez que os recursos já são insuficientes.img_7980 

Haverá redução ainda maior das vagas nas universidades (os cortes já começaram) e nas escolas técnicas, encolhimento da pesquisa, aumento da suspensão de bolsas para estudantes, redução dos atendimentos pelo SUS, entre outros retrocessos.

A PEC 241 avança com velocidade surpreendente na Câmara dos Deputados e já foi aprovada em dois turnos no plenário da Casa seguindo agora para o Senado. Por incrível que pareça, os parlamentares trabalharam em Brasília de segunda à sexta-feira. Todos sabem que o comum é apenas de terça à quinta-feira. Essa pressa e mobilização inéditas revela o medo do debate com a sociedade. Aliás, mesmo com essa manobra e massiva propaganda em favor da PEC, pesquisa VoxPopuli divulgada no dia 18 de outubro de 2016 revela que 70% da população discorda da medida.img_7964

Mas você pode questionar: eu estou vendo na televisão e no jornal que o Brasil está sem dinheiro e que é igual na casa da gente. Temos que economizar para poder voltar a fazer gastos. Esse discurso, combinado entre o Governo e parte da mídia, é enganoso, pois não dá para comparar a complexidade das contas públicas com um orçamento familiar. Além disso, o que está proposto na PEC 241 é tão extremo que seria como deixar de comprar comida, remédios e material escolar que a família precisa para guardar dinheiro no banco. Você faria isso?

Tramitação: A PEC 241 começou a tramitar no Senado após o presidente da Casa, Renan Calheiros, ler nessa quarta-feira, 26, a matéria no plenário. Precisamos impedir esse retrocesso! Se não pararmos a PEC 241 ela vai parar a vida dos brasileiros, incluindo a sua e, em especial, a da nossa juventude!

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