14 de junho de 2012
Por: Haroldo Lima


No dia 04 de junho de 2012 o Sinasefe Seção Sindical IFES realizou uma Assembleia Geral – estatutariamente a instância máxima de deliberação do Sindicato – que deliberou pela não adesão momentânea ao Movimento Nacional de Paralisação dos Servidores Públicos Federais. Todavia, como foi divulgado amplamente pelos meios internos de comunicação do Sindicato e entre os servidores do IFES, foi encaminhado um calendário de paralisações para o Instituto que deveria referenciar os debates em todos os campi. Em Aracruz foi agendada uma reunião para o dia 13 de junho a fim de debater a paralisação de sexta-feira 15 de junho. Sem dúvidas, tal reunião seria um espaço legítimo de tomada de decisões da categoria, mas infelizmente por motivos diversos compareceram ao evento cerca de 10 pessoas que, prezando pelo bom senso, entenderam não haver representatividade para deliberar acerca de assuntos que envolviam outros 70 servidores e mais de 300 alunos. Assim, o entendimento consensual foi o de que cada servidor de Aracruz tem a liberdade e a segurança jurídica para aderir ou não à paralisação, embora tal constação tenha sido feita com pesar, já que o melhor seria uma decisão coletiva.

Por princípio, defendo a DEMOCRACIA de maneira incondicional – é importante falar isso, pois na prática muitos vêem outros regimes como alternativa, apesar de se travestirem de uma roupagem pretensamente democrática – e prontamente acataria a decisão de não paralisar caso ela fosse tomada na Assembleia de Aracruz. Ante o resultado da reunião, seguirei as deliberações da Assembleia Geral e no dia 15 de junho de 2012 NÃO COMPARECEREI PARA O CUMPRIMENTO DAS ATIVIDADES EM PROTESTO CONTRA AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO GOVERNO ATUAL E CONTRA O AUTORITARISMO TRAVESTIDO DE DEMOCRACIA EXISTENTE NA SOCIEDADE BRASILEIRA. Entendo que depois de quase 90 dias de greve no ano passado, por coerência devemos continuar o debate sobre a EDUCAÇÂO e não, ao sabor das vontades individuais ou de grupos reduzidos, nos retirar do debate como se não soubêssemos que as lutas dos trabalhadores são inglórias e que o lado mais forte está nos gabinetes dos governos e das repartições.

Destaco que permaneço com a opinião de que é necessário pensar no aperfeiçoamento dos instrumentos de luta dos profissionais da educação, buscando outras ações para além das greves, de modo que não sou favorável à deflagração de um movimento grevista nesse momento pelos motivos abaixo:

O Sinasefe-IFES precisa investir na formação de sua militância de base;
Não existe ainda uma discussão sólida sobre educação instalada dentro do IFES, deixando a instituição refém de interesses grupais e individuais; uma mesma geração de alunos seria duplamente prejudicada.

Concluo essa nota, reiterando: só a união entre profissionais, estudantes e a sociedade civil pode produzir efeitos positivos sobre educação brasileira. Precisamos melhorar nossas instâncias democráticas e o debate aberto, lutando pelo bem coletivo e pelo respeito à coisa pública. A questão não se reduz ao quanto achamos justo receber como profissionais, mas sobre que tipo de escola pública queremos, sobre a justeza dos meios de acesso e sobre o retorno social das ações implementadas.

Cordiais saudações

PROFESSOR TIAGO DE ARAUJO CAMILLO – Docente do IFES- Campus Aracruz, membro da Diretoria do Sinasefe Seção IFES, cidadão

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