16 de dezembro de 2015
Por: Comunicação


O Sinasefe Seção Ifes repudia a ação violenta e desproporcional da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) realizada durante um protesto no dia 7 de dezembro em São Mateus organizado pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas. O ato protestava contra a implantação do Escola Viva em um dos maiores colégios do município, o Polivalente. O projeto implicará no fechamento de vagas no ensino médio, razão da insatisfação dos estudantes. É importante ressaltar que o Conselho de Escola foi contrário à implantação.

Durante a manifestação um aluno do Ifes, um estudante do curso de Mecânica, foi preso pela Polícia Militar. Tratado como bandido, o aluno foi algemado e jogado em um camburão. Em um município onde a juventude é tragada pelo tráfico de drogas, pois não há nenhuma política destinada a esse público, um jovem cheio de sonhos e ideais, lutando em defesa da escola pública, saiu algemado de uma manifestação legítima.

Nada poderá reparar o constrangimento do rapaz, ainda um garoto, mas os jovens de São Mateus não terão seu vigor reduzido. Ao contrário, usarão o episódio para avançar na formação de pessoas que estão dispostas a lutar e a mudar a realidade atual.

Sentimos um enorme orgulho por saber que, como profissionais da Educação, estamos formando pessoas comprometidas com a luta do povo!

São Mateus, com 124 mil habitantes, tem seis escolas públicas de ensino médio. A indignação dos alunos se refere ao fato de o projeto ser implantado em escolas já em funcionamento, como é o caso do Polivalente. Isso implicará fechamento de mais de 50% das turmas, que funciona em três turnos, para passar a abrigar o turno integral.

Além disso, o Escola Viva será gerido pela iniciativa privada, o que representa o início da privatização das atividades fins na educação. Há, ainda, um desmonte da Educação Profissional, pois em detrimento da ampliação de vagas na modalidade, que vinha ocorrendo até 2014, o atual governo ordenou o fechamento de turmas, autorizando, entretanto, a continuidade do Bolsa Sedu (compra de vagas em escolas particulares), mais uma vez demonstrando seu caráter privatizante.

Repudiamos a estratégia de desmonte da educação pública e a ação violenta e desproporcional da Polícia Militar comandada por um governo privatista e fechado ao diálogo com a sociedade.

Viva a escola pública!

Entrevista com Pedro Evêncio Oliveira Teixeira, 18 anos, estudante do 4º ano de Mecânica do Ifes de São Mateus. Ele foi preso e agredido durante manifestação contra a implantação do projeto Escola Viva e o consequente fechamento de turmas na escola Polivalente.

O que aconteceu durante o protesto?

Estávamos na frente da escola Ceciliano Abelo de Almeida, o Estadual, chamando para a Plenária. Aconteceu o mesmo em outras quatro escolas. Faltava alguns minutos para começar as aulas da turno da manhã. Estávamos orientando os funcionários e alunos a esperarem até 6h50 para fazer a Plenária. Uma coordenadora chamou a polícia. A PM chegou e o policial conversou uns 5 minutos com a coordenadora do turno da manhã do Estadual. Ele perguntou o que eu estava fazendo e eu disse que estava chamando para uma Plenária. Aí ele me empurrou e me algemou e me colocou na viatura.

Você foi levado para delegacia?

Sim. Um policial civil me agrediu com tapas e chutes, mesmo sem eu falar nada e nem reagir ou questionar. Conversei com o delegado e ele me liberou por volta das 7h20 e voltei para o protesto.

Quais foram as medidas tomadas depois do episódio?

Na parte da tarde fui conversar com a subcomandante do batalhão da Polícia Militar de São Mateus e ela disse que faltou diálogo. Depois que isso aconteceu a Superintendência de Educação do município foi ocupada, mas não houve mais problemas com os policiais. Eles acompanharam, mas não houve agressões depois.

Pedro Evêncio Oliveira Teixeira é secretário-geral da União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Mateus.

Com informações de Samanta Lopes Maciel (campus São Mateus).

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