22 de maio de 2012
Por: Haroldo Lima


Os delegados presentes na 108ª Plena do Sinasefe deliberaram pela rearticulação do movimento grevista interrompido em 2011. Para a Plena, o Governo não cumpriu com os compromissos firmados com os servidores e vem ignorando a precarização das condições de trabalho e remuneratória dos docentes e técnico-administrativos federais. Os Sindicatos têm até 4 de junho para realizar assembleias e avaliar a adesão ao movimento paredista, com indicativo para 13 de junho. A Plena aconteceu no último final de semana (19 e 20/5), em Brasília (DF).

A greve foi mencionada pela maioria dos delegados presentes na Plena durante todos os espaços de discussão do evento. Delegados de várias partes do país relataram o quadro de mobilização dos servidores em suas escolas, colaborando para uma decisão pró-greve. Entretanto, a decisão da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Federais Brasileiras (Fasubra) de aderir à paralisação, no final de semana, foi fundamental para aquecer o debate da Plenária Nacional e acionar uma deliberação do Sinasefe para a greve.

“A constatação de que, além dos professores, os técnico-administrativos estão tendo seus salários depreciados, a conjuntura geral que fortalece o movimento iniciado no ano passado e as informações de outras seções foi fundamental para firmar um sentimento pró-greve na maioria dos participantes da Plena”, informa Tiago Camillo, coordenador do Sinasefe.

Além da pauta específica, referente ao Sinasefe, a Plena considerou a pauta dos Servidores Públicos e uma pauta da Educação, a ser construída junto com a Fasubra e  a Andes, para o movimento. O espaço também delimitou um calendário para a realização de atividades de mobilização da base, que se inicia na próxima quarta-feira (23). A partir dessa data, até 4 de junho, os SPF devem mobilizar sua base em assembleias e atividades de discussão da pauta específica.

“O Sinasefe vai divulgar o calendário de atividades de mobilização e discussão com os servidores ainda nesta semana. Vamos realizar encontros nos campi, além de uma assembleia extraordinária, para discutir com a categoria os problemas no Ifes, a situação dos docentes e técnico-administrativos e a greve nas federais”, continua Camillo.

No dia 6 de junho, o Sinasefe Nacional realiza uma nova Plena para fechar a pauta da greve, o comando geral de greve e calendário de atividades. “Nós construímos um movimento histórico no último ano com apoio de grande parte da comunidade acadêmica, o Sinasefe – Seção IFES precisa mais uma vez da voz dos servidores e alunos para decidir seu posicionamento no movimento em construção”, conclui Tiago Camilo.

A Plena avaliou as últimas negociações com o Governo, a partir da interrupção da greve do ano passado, especialmente as discussões em torno do GT Carreira, demanda criada pelo último movimento grevista, a mobilização das Istituições Federais de Educação para a paralisação deflagrada em 17/5, comandada pelo Andes-SN, a deflagração de greve da Fasubra e também a mobilização das SPF para a adesão ao movimento. No plano das reivindicações, os delegados presentes no espaço levaram em consideração aderir à greve devido à falta de reconhecimento da importância dos servidores e da educação para o povo brasileiro por parte do governo, negando ações de progressão profissional básicas como a reestruturação da Carreira, usando a crise financeira internacional como desculpa para o arrocho salarial e de investimento, ao mesmo tempo em que prioriza medidas de desvalorização da educação pública em favor da privatização, com programas como o Pronatec. A estrutura precária das escolas também foi colocada em pauta.

A Plena é a instância de deliberação máxima do Sinasefe. Ela é constituída a partir de demanda apresentada pela direção nacional do Sindicato e composta por delegados eleitos em seções sindicais em dia com suas obrigações estatutárias. Cada seção enviou dois delegados eleitos em assembleia ou reunião de diretoria para o evento, um da base e outro da coordenação da Sindicato local. Qualquer servidor da base pode e deve participar como observador.

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