22 de julho de 2016
Por: Comunicação


Esse projeto tem como objetivo implantar uma educação que não ensina a pensar e que torna os cidadãos incapazes de refletir criticamente e exercer sua liberdade de expressão e pensamento de maneira fundamentada

A escolha do nome “Escola sem Partido” é apenas uma estratégia para esconder a real intenção do PLS 193/2016, de autoria do Senador Magno Malta (PR/ES). Defender a “Escola sem Partido” é, na verdade, defender a escola de um partido só, pois esse pensamento desconsidera o fato de que não existe educação neutra, uma vez que o ato de educar implica posicionamento diante do mundo. O projeto finge pregar a pluralidade, porém, na verdade, o texto determina a neutralidade, ignorando que o ser humano é um ser político e social.

É preciso entender que a tentativa de silenciamento de educadores em nome da “isenção” do ensino é enganosa, pois todo conteúdo é permeado por influências das mais diversas linhas de pensamento. Notem que o alvo do projeto é o pensamento com viés de esquerda, justamente o contraponto à hegemonia do pensamento liberal que tornou-se senso comum na sociedade brasileira. Se fosse verdade que há doutrinação nas escolas não estaríamos assistindo à guinada conservadora da sociedade brasileira.

Fundamentalistas e oportunistas interessados em difundir o pensamento único entre a população, impedindo o pouco de diversidade que resta nas produções discursivas no país, querem privar a próxima geração de crescer em consonância com os debates mais avançados na vida acadêmica mundial, como as questões relacionadas à desigualdade social, distorções do capitalismo que levam à miséria e exploração da classe trabalhadora, discussões sobre gênero, violência contra a mulher, homofobia e LGBTfobia, entre muitas outras.

Clique aqui e vote NÃO ao projeto “Escola sem Partido” no site do Senado.

Pensar

O projeto é uma defesa da educação com um lado só, que não ensina a pensar e prepara uma geração inteira para ser incapaz de refletir, de pensar criticamente e de exercer sua liberdade de expressão e pensamento de maneira fundamentada, com acesso às informações básicas para formular suas próprias ideias e opiniões. Dessa forma, o povo brasileiro será presa ainda mais fácil dos discursos vazios, falaciosos e recheados de senso comum que para nada servem além de usar a população como massa de manobra para viabilizar toda e qualquer ação que beneficie os poderosos detentores do dinheiro e do poder político no país.

A junção de fundamentalismo religioso com conservadorismo econômico que defende a manutenção das profundas desigualdades econômicas brasileiras, que tenta silenciar o contraditório, só fará com que tenhamos cada vez mais pobres explorados que ganham cada vez menos. Contribuirá para o aumento da intolerância e dos casos de estupro, para a perpetuação da cultura racista introjetada na sociedade brasileira, e da violência contra pessoas LGBTs. Além disso, servirá de suporte para legitimação do abismo entre a grande maioria pobre e a pequeníssima minoria rica, e para a perpetuação da diferença salarial entre homens e mulheres, entre outras distorções econômicas.

Projetos semelhantes se multiplicam em assembleias legislativas e câmaras de vereadores por todo o país. Pela lógica dos seus defensores, questões como o PL 257/2016 e a PEC 241/2016, destaque desta publicação com informações que alertam para o risco que a sociedade brasileira corre, não poderiam ser assunto em sala de aula. Caso a questão fosse abordada, deveria ser de forma “isenta”, ou seja, relatando do que se trata, fazendo a juventude engolir de maneira acrítica que as medidas são boas porque o Governo Temer e seus aliados assim defendem. Com esse exemplo fica mais fácil entender o que os defensores do Projeto querem.

Reação

Por isso, os membros atuantes da sociedade e suas entidades representativas, educadores, estudantes, trabalhadores e cidadãos dos mais variados setores, repudiam com veemência a ofensiva do atraso e do fascismo expresso nesse famigerado Projeto de Lei.

A Frente Nacional contra o “Escola Sem Partido” foi lançada no dia 13 de julho, no Rio de Janeiro. Em nota, o movimento afirma que “historicamente, as classes dominantes do Brasil em seus sucessivos governos e em todas as esferas têm sucateado e precarizado a educação. Sequer a escola pública de qualidade em suas acepções fundamentalmente liberais é garantida à população, principalmente aos seus segmentos mais pauperizados. Não bastassem as condições degradantes às quais são expostos estudantes e profissionais da educação, não bastasse o salário rebaixado à que são submetidos professores/as e demais profissionais da área da educação, acenam agora com a censura, o patrulhamento ideológico, com a morte da esperança de transformação social em suas exposições mais primárias”.

Outro trecho da nota afirma que “não são mais suficientes as iniciativas isoladas, não basta mais levantar a voz no espaço de nossas casas ou mesmo em nossas salas de aula. É necessária uma ampla organização. É hora de reunir todas as entidades, sindicatos, associações, partidos, organizações da sociedade civil, parlamentares, etc, ombro a ombro contra esse insulto à democracia e ode aos anos de chumbo”.

Clique aqui e vote “NÃO” ao Projeto de Lei no site do Senado. O cadastro é feito muito rapidamente conectando a página com seu Facebook, conta no Google ou informando um e-mail. Não deixe de votar.

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