10 de outubro de 2018
Por: Comunicação


Segundo pesquisa Datafolha, o WhatsApp é a rede é a mais difundida entre eleitores brasileiros, utilizada por 66% deles, equivalente a 97 milhões de pessoas

Além da polarização política que marca as eleições deste ano no Brasil, estudiosos tem apontado que o uso das redes sociais e sua influência no processo eleitoral também é destaque. Mas, mais do que o uso dos aplicativos em si, o que chama a atenção é a disseminação indiscriminada de notícias falsas, as chamadas “Fake News”.

Man is holding smartphone and reading fake news on internet. Propaganda, disinformation and hoax concept.

No último domingo (7), em pleno 1° turno das eleições, um vídeo viralizou no Facebook e pelo WhatsApp. Nas postagens, um eleitor seleciona a tecla 1 e automaticamente aparecia o número 13 e o candidato Fernando Haddad na urna. O vídeo chegou a ser compartilhado pelo filho do candidato Jair Bolsonaro, que acusou fraude.

Facilmente podia ser identificado que o vídeo é uma montagem grosseira de edição. No mesmo dia, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) esclareceu que o vídeo é falso e foi editado, e que não há possibilidade de tal problema ocorrer. Um técnico explicou como a montagem foi feita.

Mas até então, o estrago já estava feito. O vídeo foi visto por milhares, senão milhões de pessoas, seguiu sendo compartilhado e encarado como “verdade”.

Este é o problema das fake news. Notícias e sites falsos, áudios mentirosos, imagens e vídeos manipulados são compartilhados e se espalham rapidamente pelas redes indiscriminadamente.

No Twitter, um relatório da Diretoria de Análises Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas revelou que no domingo, o debate sobre eleições resultou em 2 milhões de menções. Mais de um quarto foi sobre as urnas eletrônicas, a maioria levantando a suspeita de fraude.

Teve de tudo. Uma postagem dizia que o TSE havia entregue códigos de seguranças das urnas para a Venezuela. Outro que a Polícia Federal havia apreendido uma van com urnas eletrônicas “preenchidas com votos em Haddad”. As informações foram desmentidas pelos órgãos do governo e verificadas (e também desmentidas) por vários sites de checagem de conteúdo.

A rede Whastapp deu início esse ano a uma campanha para combater as Fake News. A empresa implementou mudanças no aplicativo para controlar a distribuição de mensagens e vem publicando peças publicitárias em veículos de comunicação para alertar contra informações falsas.

Segundo pesquisa Datafolha, o WhatsApp é a rede é a mais difundida entre eleitores brasileiros, utilizada por 66% deles, equivalente a 97 milhões de pessoas. Chega a ser maior do que o Facebook, usado por 58% dos brasileiros que votam. No total, 120 milhões de brasileiros usam o aplicativo no país.

A jornalista Juliana Gragnani, da BBC News, com a ajuda de um sistema desenvolvido por pesquisadores brasileiros, acompanhou durante uma semana 272 grupos no Whastapp. Seu relato é assustador: “Em uma semana vi muita desinformação, como imagens no contexto errado, áudios com teorias conspiratórias, fotos manipuladas, pesquisas falsas. Ataques à imprensa tradicional, como capas falsas de revistas e falsa “checagem” de notícias que, de fato, eram verdadeiras. Imagens que fomentam o ódio a LGBTs e ao feminismo. Uma “guerra cultural” organizada, com ataques sistematizados a artistas em redes sociais. Áudios e vídeos de gente comum ou de gente que se passa por gente comum, mas com identidade desconhecida, dando motivos para votar em um candidato”, disse.

Há outro lado das fake News que especialistas também alertam: não se trata apenas de desinformação, como se fosse algo sem motivação, feito apenas por “desavisados”. Hoje há indústrias de Fake News. Literalmente, sites e empresas que produzem conteúdo falso a serviços de interesses privados, sejam políticos ou mesmos econômicos.

O site “Vaza Falsiane”, criado por jornalistas e professores universitários, explica que há profissionais contratados para controlar grupos de perfis falsos. São chamados de “seeders” (“semeadores”, em inglês) e têm o objetivo de disseminar conteúdo sobre os candidatos, como pessoas comuns fariam. Em época de eleição, chegam a ganhar bons salários.

Saiba como identificar uma Fake News:

Analise

Antes de compartilhar um texto, é importante lê-lo com calma. Observe se ele possui palavras em letras maiúsculas, exclamações, abreviações, erros de ortografia e excesso de adjetivos. Desconfie se houver muitas opiniões, títulos sensacionalistas e dados sem indicar a fonte.

Pesquise

As pistas para descobrir fake news vão além do texto. Sites com nomes parecidos com o de veículos conhecidos, que não identificam seus autores e não possuem informações de contato são suspeitos. Às vezes, os especialistas consultados nem existem. Vale dar um Google.

Confirme

Cheque se a notícia saiu em algum outro jornal, revista ou site. Tome cuidado, pois um conteúdo falso nem sempre é 100% mentiroso. Às vezes é só um trecho usado fora de contexto ou uma matéria muita antiga compartilhada como nova. Essa manipulação contribui para a desinformação.

Denuncie

No Facebook, é possível classificar o conteúdo suspeito como “falso”: basta clicar nos três pontinhos do canto direito da publicação. As agências de checagem de fatos especializadas em confirmar ou desmentir discursos políticos, vídeos e até correntes de WhatsApp possuem formulários de denúncia.

Serviços que combatem fake news

Aos Fatos (aosfatos.org): Agência que verifica vídeos, correntes e memes que circulam na internet.

e-farsas.com: Criado em 2002, o blog foi um dos primeiros a desmentir boatos no Brasil.

B.S. Detector (bsdetector.tech): Plug-in de navegador que analisa a veracidade e classifica o site acessado.

Vaza, Falsiane (vazafalsiane.com): Curso online, gratuito e interativo sobre notícias falsas.

Comprova (https://projetocomprova.com.br): projeto que reúne jornalistas de 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas durante a campanha presidencial de 2018.

Com informações: Super Interessante, Projeto Comprova, El País, UOL.

Fonte: CSP-Conlutas.

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