28 de março de 2018
Por: Comunicação


Evento foi marcado por debates sobre assédio sexual e moral, gênero, raça, classe e feminicídio. A vereadora assassinada Mariele Franco, assassinada no Rio de Janeiro, foi homenageada na abertura das atividades

O Sinasefe Seção Ifes marcou presença no 1º Encontro Nacional de Mulheres. A atividade aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de março, em Brasília.

Seis mulheres da categoria representaram o Espírito Santo (ES) durante os três dias do evento. São elas: a servidora docente Márcia Rezende de Oliveira, do Ifes Campus São Mateus, e as servidoras técnicas-administrativas (TAEs) Norma Pignaton Recla Lima e Lúcia Helena Pazzini de Souza, do Ifes Campus Vitória, Alini Altoé, do Ifes Campus São Mateus, Poliane dos Passos Almeida, do Ifes Campus Linhares, e  Cristina Mota Damasceno, do Ifes Reitoria.

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Alini, Cristina, Márcia, Poliane, Norma e Lúcia

Entre os temas da programação do encontro, que contou com quatro mesas de debates, violência e assédio moral e sexual chamaram a atenção das participantes. Segundo a bibliotecária Lúcia Helena, vários depoimentos fortes foram feitos pelas presentes.

“Nós não sabemos das mulheres que sofrem violências, assédios. Algumas mulheres no evento deram depoimentos de suas vidas. Sobre o que acontecia dentro de suas casas, às vezes de pessoas conhecidas ou de algum trauma de infância. Foi de uma complexidade muito grande. Descobrimos coisas que nem imaginávamos que acontecia dentro de ambientes domésticos”, expôs Lúcia.

A psicóloga Alini ressaltou a demora no debate acerca do tema, já que esse foi o primeiro encontro de mulheres da base do Sinasefe Nacional. “São 29 anos de sindicato e só agora realizamos um evento tão necessário. O sindicato assim como tantas outras instituições é marcado por práticas patriarcais o que dificulta a participação das mulheres nesse espaço”, apontou.

Mariele Presente!

Símbolo de resistência e inspiração. Dessa forma que a vereadora carioca Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram homenageados na abertura do 1º Encontro de Mulheres do Sinasefe.

As presentes fizeram um minuto de silêncio contra toda a forma de opressão às mulheres em virtude do assassinato da militante e ativista dos direitos humanos. A parlamentar foi assassinada no dia 14 de março, no bairro Estácio, no Rio de Janeiro (RJ).

Programação

Lúcia Helena também destacou que participou da mesa de debate sobre “Violência: do assédio ao feminicídio”, que contou com a presença das palestrantes: Elisa Rita Ferreira de Andrade, Jéssica Lima, Lia Zanotta, Margaret teixeira e Raissa Rôssiter.

“As mulheres estão sendo assassinadas. Discutimos sobre o assassinato da Marielle, sobre o ativismo dela. Isso nós mostra como que nós ficamos impedidas de participar de certas coisas com a naturalização desse tipo de violência”, apontou a bibliotecária.

Ela ainda destacou o alto índice de assassinatos de mulheres no Brasil. Segundo a organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres foram assassinadas.

O evento ainda contou com mesas de debates acerca dos temas:

– Conjutura Nacional e Atuação Política e Sindical das Mulheres. Palestrantes: Erika Andreassy, Érika Kokay, Janaina Reis, Sarah Pereira e Silva Ferraro.

– Mulheres, Raça e Classe: Mulheres Negras e Indígenas. Palestrantes: Dayse Gomes, Helena Silvestre, Márcia Kambeba e Zuleide de Queiroz.

– Mulheres LGBT: Gênero, sexualidade, Visibilidade e representatividade. Palestrantes: Jéssica Milaré, Marília Macedo, Luma de Andrade e Tatiana Lionço.

Teses

Durante os grupos de trabalho (GTs), teses foram produzidas e apresentadas. Os debates enriqueceram ainda mais o encontro.

A categoria do ES apresentou duas teses: “a criação do núcleo sobre gênero e sexualidade nos institutos federais” e “a educação como lugar de conversa sobre gênero e raça”.

“O evento é importante para problematizarmos as práticas machistas, sexistas, lgtfóbicas, pensarmos em modos de promover formações e como combater tais práticas na educação e no movimento sindical”, frisou a psicóloga Alini.

Ser, existir e decidir!

O resultado do evento foi positivo e as mulheres voltaram de Brasília fortalecidas. “Debatemos sobre os nossos direitos e sobre a nossa existência. A frase que mais me marcou nesse encontro foi que nós mulheres temos o direto de ‘ser, existir e decidir’’’, enfatizou Lúcia.

A consciência da união e da luta contra as práticas machistas e a invisibilidade das mulheres nos espaços políticos foram reforçados. “Nós estamos pensando em fazer esses eventos em níveis estaduais e, também, nacionais itinerantes”, completou.

Assembleia

A escolha das representantes para o 1º Encontro de Mulheres do Sinasefe foi deliberado em assembleia geral, realizada no dia 1º de março, no auditório do Sinasefe Seção Ifes, no bairro Jucutuquara, em Vitória. Clique aqui e saiba mais.

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