14 de janeiro de 2016
Por: Comunicação


No Brasil, 35% da população que vive nas cidades grandes não tem dinheiro para pagar ônibus regularmente

Protesto Pesse Livre Rovena RosaAgência Brasil CC 3.0

O Sinasefe Seção Ifes apoia os atos capitaneados por estudantes da Ufes, secundaristas do Espírito Santo e outros movimentos da Juventude que protestam contra o aumento da passagem do Sistema Transcol que no dia 11 de janeiro subiu de R$ 2,45 para R$ 2,75. No domingo a tarifa foi de R$ 2,15 para R$ 2,40. Um novo protesto está marcado para esta terça-feira, 19, com concentração a partir das 17h30 em frente à Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá, Vitória.

O primeiro ato dos manifestantes aconteceu na manhã do dia 12 de janeiro, no Centro de Vitória, com concentração no Palácio Anchieta e passeata até a praça Costa Pereira. O primeiro protesto foi marcado pelo bom humor contando com batucada, marchinhas, e cartazes que perguntavam: “R$ 2,75. É Open Bar?”.

Vale lembrar que os ônibus do Transcol e de Vitória não possuem pista exclusiva ou prioritária, ficando presos nos engarrafamentos, andam com superlotação em diversos horários, circulam com intervalos muito grandes deixando a população durante muito tempo esperando e não possuem ar-condicionado. Tudo isso torna as viagens uma verdadeira tortura.

As manifestações contra os altos reajustes nas tarifas do transporte público começam a tomar diversas cidades do país. Vitória faz parte de um movimento nacional que não aceita a penalização da população e considera os aumentos das tarifas uma forma de cerceamento ao direito constitucional de ir e vir. Nos locais mais distantes dos grandes centros, o acesso aos direitos fundamentais só pode ser concretizado através do transporte coletivo. As pessoas que não têm dinheiro para pagar a tarifa ficam impedidas de exercer os seus direitos.

De acordo com o site do Movimento Passe Livre (MPL), no Brasil, 35% da população que vive nas cidades grandes não tem dinheiro para pagar ônibus regularmente (IPEA, 2003). “Muitas pessoas estão excluídas da educação porque não podem pagar o ônibus até a escola. Toda vez que aumenta a tarifa do ônibus, esta exclusão aumenta também. Ao mesmo tempo, é importante enfatizar que, mais que lutar contra o aumento da tarifa, lutamos contra a existência de uma tarifa. O sistema de Transporte precisa ser totalmente reestruturado, de modo que as tarifas não continuem aumentando, excluindo cada vez mais pessoas. O Transporte precisa ser visto como um direito essencial, não como uma mercadoria”, diz o site.

SP

Em São Paulo, o ato desta terça-feira, 12, terminou com 13 pessoas detidas após reação desproporcional da Polícia Militar que avançou para cima dos manifestantes com bombas de efeito moral, mas com potencial de ferimentos graves nas pessoas. Por lá as tarifas de ônibus, trem e metrô aumentaram de R$ 3,50 para R$ 3,80. Pessoas que saíam do trabalho (sem vínculo com a manifestação), repórteres, fotógrafos, cinegrafistas, e manifestantes ficaram feridos, alguns com gravidade. Aos companheiros de São Paulo todo o apoio e solidariedade do Sinasefe Seção Ifes.

Rio

No final da tarde de sexta-feira, 8, foi a vez dos cariocas protestarem. A concentração aconteceu na escadaria da Câmara Municipal, na Cinelândia, e o ato seguiu até a Central do Brasil. A tarifa dos ônibus municipais do Rio foi reajustada no dia 2 de janeiro, passando de R$ 3,40 para R$ 3,80. Por lá a Prefeitura do Rio reduziu a meta de instalação de ar-condicionado nos ônibus pelas empresas que era de 100% da frota até o fim de 2016. Esse índice foi reduzido para 70%.

BH

Na capital mineira, Belo Horizonte, as passagens que subiram de R$ 3,40 para R$ 3,70 provocaram protesto na noite do dia 8 de janeiro. O reajuste foi classificado como “assalto”, já que foi o segundo aumento em menos de seis meses. Cantando “Mãos ao alto, esse aumento é um assalto”, os manifestantes seguiram no final da tarde da Praça Sete, no Centro, até a praça Raul Soares, utilizando a avenida Afonso Pena.

Fonte: Agência Brasil CC 3.0.

530 View