6 de agosto de 2009
Por: Haroldo Lima


“A metamorfose da rede federal de educação tecnológica: passado, presente e futuro”. Esse é o tema do V Seminário Nacional de Educação do Sinasefe, que começou na quinta-feira, dia 5 de agosto. O evento vai até o dia 8 e acontece no Ifes, campus Vitória.

A abertura contou com a apresentação do Coral Camerata, do Ifes. O técnico administrativo do Instituto Sul Rio Grandense, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, aprovou a escolha do tema do seminário. “O tema é importante não somente para a categoria, mas para a educação tecnológica no país”, afirma. O professor Eugênio Atefce acha que o evento é uma grande oportunidade para trocar experiências. “Será bom para falarmos de nossas experiências naquilo que envolve a educação nesse contexto de ifetização”, diz Eugênio, que trabalha no Ifes Ceará, campus Fortaleza.

Depois da apresentação do Coral Camerata, foi composta a mesa de abertura, que contou com a presença do representante da Reitoria e Pró-Reitor de Desenvolvimento Jadir Pella, da coordenadora da conferência de educação no Espírito Santo; Cássia Nunes, do coordenador nacional do Sinasefe; Ricardo Eugênio, dos coordenadores da pasta de política educacional do Sinasefe; Ricardo Velho e Francisco Queiroz, do coordenador geral da Seção Sindical Vitória; Antônio Henrique Pinto, do representante da Conlutas; Mancha, e de Rafael, representante da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel).

Palestra

A professora Lúcia Maria Wanderley Neves ministrou a primeira palestra do evento. Ela começou sua fala dizendo que antes de entrar no tema, que foi “Educação, Ciência e Tecnologia: Balanço das Políticas Governamentais”, era necessário fazer algumas reflexões.

Uma delas foi sobre uma afirmação do presidente da França, que disse ser preciso redefinir o capitalismo. “Isso significa que a ideologia dominante começa a minar em sua própria base”, afirma a professora, que também falou sobre um fato envolvendo o Banco Mundial. “Foi contratada uma auditoria para avaliar as políticas sociais do Banco Mundial. Por meio dessa avaliação, ficou provado que essas políticas são insuficientes. É preciso ficarmos atentos para a redefinição que será dada para às políticas sociais do Banco Mundial, pois entre elas está a educação”, diz a palestrante.

Lúcia Maria, ao entrar no tema “Educação, Ciência e Tecnologia: Balanço das Políticas Governamentais”, falou sobre o conceito de educação terciária, usado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ela, o conceito rege toda a formação superior no mundo. “Trata-se da etapa posterior à educação secundária, com vários modelos de educação, como universidade pública, universidade privado, tecnólogo, educação à distância, entre outros”, explica a professora.

Para a palestrante, o conceito de educação terciária tem uma entrada política pedagógica muito grave. Para demonstrar isso, falou de alguns conceitos que encontrou no decorrer de suas pesquisas. Segundo ela, o modelo de educação terciária é classificado como flexível e vai de encontro a um modelo rígido. “Modelo rígido é aquele em que a base da instituição é universitária, no qual há indissociabilidade de ensino, pesquisa e extensão”, explica. De acordo com Lúcia Maria, o modelo rígido forma um ser humano consciente. Já no modelo flexível de educação terciária, pesquisa só existirá em instituições públicas a nível de mestrado e doutorado acadêmico. “O modelo rígido é o ensino voltado para o mercado de trabalho, e não para o conhecimento humano, para formar seres pensantes”, afirma a professora.

De acordo com Lúcia Maria, o objetivo da educação terciária é a massificação da educação, ou seja, certificar o maior número de pessoas possível. Nesse contexto, a educação humanista é deixada de lado. Segundo a palestrante, essa massificação atende a uma necessidade do capital. “Está provado que a miséria no mundo avançou. Para evitar que essa grande massa de excluídos se rebele, é preciso dar a ela alguma falsa oportunidade. Para uma pessoa que nunca teve nada, um certificado de um curso é algo muito grande. Porém, com o tempo ela vai ver que o certificado dela não vale tanto assim”, afirma Lúcia Maria.

Depois da palestra, houve um coquetel acompanhado de uma noite de autógrafos com a professora Lúcia Maria. No local, foram vendidos seus livros: “Fundamentos da Educação Escolar no Brasil Contemporâneo”, “Debates e Síntese do Seminário Fundamentos da Educação Escolar no Brasil Contemporâneo” e “O Mercado do Conhecimento e o Conhecimento Para o Mercado”. O primeiro e o último estão disponíveis para download no portal da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz.

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