25 de agosto de 2022
Por: Comunicação


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Atividade ocorreu de 18 a 21 de agosto, em Fortaleza, e apontou para o enfrentamento ao projeto fascita em curso no país; confira

Esta matéria foi atualizada no dia 5 de setembro.

Entre os dias 18 e 21 de agosto, mais de 520 mulheres de 48 seções sindicais participaram do 3º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE Nacional, em Fortaleza-CE, no Praia Centro Hotel. Pela primeira vez o evento foi sediado fora de Brasília. O Sinasefe Ifes enviou uma delegação composta por 18 mulheres e duas crianças. Outra novidade foi o espaço Sinasefinho, com programações dedicadas às crianças.

O tema da edição deste ano “As mulheres vão derrotar o fascismo: pela vida de todas as mulheres e em defesa dos serviços públicos”, se relaciona com o atual cenário eleitoral, em que o eleitorado feminino representa uma importante frente de oposição e resistência ao governo Bolsonaro.

No evento, as participantes apontaram a urgência de derrubar o projeto fascista de desmantelamento dos serviços públicos, de ódio às mulheres, às pessoas racializadas, LGBTQIA+ e minorias, representado pelo atual governo.

Além de oficinas, mesas temáticas e demais atividades, as mulheres realizaram uma grande manifestação pelas ruas da capital cearense, fazendo um “toalhaço” em defesa da eleição de Lula para derrotar Bolsonaro. O apoio à candidatura do petista foi aprovado no 34º CONSINASEFE e também pela base do Sinasefe Ifes – em assembleia geral.

Imagens do “Toalhaço” pelas ruas da capital cearense.

Para a coordenadora da Regional Norte do Sinasefe Ifes, Alini Altoé (campus São Mateus), o 3º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE coloca na centralidade temas que atingem de forma violenta as trabalhadoras da educação em seu dia a dia, como as opressões, a misoginia, os assédios morais e sexuais nos ambientes de trabalho. O evento proporcionou analisar estratégias para enfrentar as práticas que fragilizam, violentam e oprimem muitas companheiras da rede federal.

“Foi um espaço importante para percebermos o que é violento no nosso dia a dia e pensar como enfrentar e como questionar as práticas machistas, misóginas dentro dos institutos, dos colégios militares, mas também dentro dos sindicatos com os nossos colegas e companheiros de luta. E quando nos fortalecemos conseguimos trazer isso para os estudantes com quem a gente atua na escola. É um momento exclusivo para as mulheres e de muita aprendizagem, que serve para depois dialogarmos também com os homens, porque as pautas feministas não são exclusivas das mulheres, mas de toda a população”, reforça Alini.

 

Plenária 

Devido ao escasso tempo dentro da programação do Encontro (de 18 a 21 de agosto), a Plenária final foi agendada para o dia 9 de setembro (sexta-feira), às 8h30, de forma remota pela plataforma Zoom. Na atividade devem ser analisados os encaminhamentos dos Grupos de Trabalho, Cartas de Moções e afins. Clique aqui e saiba mais.

Atividades
A programação reuniu oficinas, mesas temáticas, grupos de trabalho e momentos culturais. Também teve ato público, o “toalhaço” de apoio à candidatura de Lula, em que as participantes saíram em passeata do Praia Centro Hotel até a Praia de Iracema exibindo toalhas estampadas com o rosto do presidenciável.

A assistente social Marilúcia dos Santos Mattos (Ifes Vitória) e filiada ao sindicato compareceu pela primeira vez a um Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE e avaliou positivamente a contribuição do espaço para a militância política e formação pessoal das participantes. Ela destacou a questão da escalada da violência que faz das mulheres e, sobretudo as mulheres negras, alvo preferencial dos machistas, dos racistas e dos LGBTQIA+fóbicos.

“Muitos relatos revelaram como o contexto desse governo foi prejudicial para todas. As mulheres indígenas denunciaram as atrocidades sofridas por seus povos e em alguns momentos nós nos reconhecemos em alguma fala e nos solidarizamos. Foi uma oportunidade diferenciada, onde as mulheres puderam se sentir à vontade e tratar mais a fundo as questões que atravessam nossas particularidades. Nos fortalecemos nos debates e intervenções de outras companheiras, tendo certeza que não estamos sozinhas em nossas lutas. Acredito que isso reafirmou em todas as participantes a vontade de seguir na luta pela construção de uma sociedade melhor, sabendo que isso perpassa necessariamente pelo fortalecimento das lutas das mulheres”, pontua Marilúcia.

A secretária da coordenação de Administração e Finanças do Sinasefe Ifes Norma Pignaton participou desta e das demais edições do evento. Em sua avaliação, ela reiterou a necessidade de proporcionar uma formação política específica para as mulheres, considerando que o sindicato precisa de mais professoras e servidoras para compor a gestão das diretorias e seções sindicais, que têm paridade de gênero obrigatória desde 2017, quando a diretriz foi aprovada no 31º CONSINASEFE e passou a constar no Estatuto do SINASEFE.

“Eu vejo que é muito importante empoderar as mulheres para elas superarem as dificuldades que têm e assumir as atividades políticas, porque precisamos de mais companheiras atuantes. Outra questão levantada pelas colegas que merece atenção é a invisibilidade das/os aposentadas/os. No encontro tinha filiadas de até 80 anos reunidas com servidoras que estão na ativa e nós discutimos a importância da Diretoria Nacional prestar mais atenção no nosso grupo de servidoras/es aposentadas/os. Temos ações muito pontuais, mas geralmente o que acontece quando a pessoa encerra a sua contribuição é já não ser tratada como antes pela instituição”, analisa Norma.

Sinasefinho

Um avanço apontado pelas participantes da 3ª edição do Encontro de Mulheres foi a criação do primeiro Sinasefinho, espaço formativo planejado para crianças de até 12 anos, separadas por idade (0 a 5, 6 a 8 e 8 a 12). Com atividades, jogos e brincadeiras adequados a cada faixa etária, o espaço tinha o objetivo de proporcionar experiências positivas, afetividade, sociabilidade e o aprendizado de princípios inclusivos, não-sexistas e colaborativos entre as crianças que acompanharam suas mães/responsáveis.

A iniciativa forneceu uma logística para garantir a permanência das mães no Encontro Nacional de Mulheres. Muitas das presentes participaram pela primeira vez graças à estrutura do Sinasefinho, como é o caso da assistente social do Ifes Vitória Denise da Silva Lemos, que foi ao evento acompanhada por sua filha de sete anos.

“Sou filiada ao sindicato há 13 anos, mas nunca tinha participado de encontros como esse porque antes não havia essa possibilidade. Meu filho maior tem onze, pude deixá-lo em casa e levar a pequena de sete. O evento foi maravilhoso, os espaços, as temáticas, os palestrantes e a infraestrutura foram ótimos. O Sinasefinho também teve uma boa estrutura, minha filha gostou muito e fez vários amigos”, conta Denise.

Entretanto, as participantes enfrentaram comentários repressores de colegas antes da viagem e durante a programação, descredibilizando o fato de estarem ausentes de casa para a viagem e também censurando a presença das crianças no espaço.

“Vamos gastar dinheiro levando criança para turismo sindical?”, “Sua filha está ocupando o lugar de uma mulher”, “Na minha época a mãe cuidava do filhos, não é obrigação do sindicato bancar o filho de ninguém”, discursos como esses são exemplos das falas negativas ouvidas pelas participantes, que compuseram um mural com as declarações de cunho machista dos companheiros e companheiras da categoria. A pedagoga Samanta Maciel, do campus Ifes São Mateus, entende que o formato proposto assegura a ida das mães, além de refletir a presença de mais mulheres mães na organização e na Direção Nacional, que expressaram preocupação e cuidado com a questão.

“É uma forma de garantir e incentivar a presença delas na luta sindical, uma vez que sabemos que entre as principais causas da ausência feminina estão as questões domésticas e em especial o cuidado dos filhos, que em nossa sociedade são entendidos como nossa tarefa exclusiva. Quanto às falas negativas em relação à ida das crianças, elas demonstram para mim que precisamos avançar cada vez mais no debate sobre o fato de que a sociedade capitalista tenta inculcar nas pessoas a ideia de que a tarefa de cuidar dos filhos é algo individual. Quando, na verdade, deveria ser uma tarefa desempenhada de forma coletiva se pensarmos na nossa responsabilidade na tarefa de educar as gerações futuras para a construção de uma sociedade justa e livre do machismo”, compreende Samanta.

Confiras as companheiras da base do Sinasefe Ifes que participaram da atividade:

1. Alini Altoé – Ifes São Mateus
2. Ana Paula Brasil – Ifes Vitória
3. Cynthia Krüger Quinino Marciano Laurindo – Ifes Serra
4. Cristina Mota Damasceno – Reitoria
5. Denise da Silva Lemos – Ifes Vitória
6. Izabel Simon – aposentada
7. Lucia Helena Pazzini de Souza – aposentada
8. Marcia Rezende de Oliveira – Ifes Aracruz
9. Maria Angela Dutra Machado – Ifes Vitória
9. Maria da Penha Xavier Araujo – Ifes Vitória
10. Maria do Carmo Freitas Nascimento – Ifes Vitória
11. Marilucia dos Santos Mattos – Ifes Vitória
12. Maura Cândida Santos Bomfim – Ifes Vitória
13. Naila de Mello Pancieri Gomes – Ifes Colatina
14. Norma Pignaton Recla Lima – aposentada
15. Paula Mariani Taquete Rodrigues – Ifes Serra
16. Rogeria Gomes Belchior – Ifes Serra
17. Samanta Lopes Maciel – Ifes São Mateus
18. Wania Gomes Colodetti- Ifes Linhares

Confira fotos da atividade: 

 

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