25 de julho de 2019
Por: Comunicação


Diante dessa realidade de retrocessos e estatísticas tão cruéis é preciso reafirmar a necessidade das mulheres negras de reorganização e fortalecimento no combate às desigualdades estruturais

Nesta quinta-feira (25) é comemorado o “Dia da Mulher Negra Latino- Americana e Caribenha”. A data faz parte do calendário de lutas desde 1992 e foi criada durante o 1º Encontro com a temática de gênero e raça na República Dominicana.

Aqui no Brasil, nesta data também é homenageada Tereza de Benguela, e em 31 de julho, é celebrado o dia da mulher africana. Tereza de Benguela foi uma rainha do século 18. Estrategista militar e dirigente política, esteve à frente do Quilombo de Quariterê, localizado no território que hoje corresponde ao Vale do Guaporé, no estado do Mato Grosso.

Essas datas marcam a denúncia do machismo e o racismo que penalizam as mulheres negras, que estão à margem da sociedade e estão no topo da pirâmide da exploração e violência no país, bem como a luta protagonizada ao longo dos séculos contra a opressão.

Dados do Atlas da Violência deste ano revelaram um aumento de 20,7% na taxa nacional de homicídios femininos entre 2007 e 2017. Número alarmante que é agravado ainda mais após fazermos um recorte de raça. A morte de mulheres negras cresceu mais de 60% em uma década, em comparação com um crescimento de 1,7% nos assassinatos de mulheres não negras.

O Estado que deveria garantir o direito básico à vida das mulheres negras, mata e assassina. A exemplo do caso de Claudia Silva Ferreira, morta e arrastada pelas ruas do RJ por policiais da UPP (Unidade de Policia Pacificadora), de Marise Nóbrega, morta por PM, após ser agredida na cabeça por uma coronhada de fuzil, a execução de Marielle Franco durante a intervenção militar, com fortes indícios de policiais envolvidos, entre inúmeros outros casos pelo país.

Somado a isso, não há garantia do básico que é o acesso à saúde, educação, moradia digna, trabalho e renda. O desemprego e subemprego, com forte aumento após a Reforma Trabalhista, afetam de forma mais agressiva as mulheres negras, pois são as primeiras a serem demitidas e superexploradas em tempos de crise. Entre o quarto trimestre de 2014 e igual período de 2017, a taxa de desocupação entre elas passou de 9,2% para 15,9%, um aumento de 6,7 pontos percentuais.

Como se não bastasse, o Brasil é dirigido por um presidente de ultradireita, Jair Bolsonaro (PSL), que repetidas vezes reproduziu discursos racistas, machistas e lgbtfóbico. A Reforma da Previdência em processo de votação no Congresso é outro brutal ataque à classe trabalhadora, que vai atingir com muito mais força as mulheres negras, impedindo aposentadorias, restringindo benefícios previdenciários e aumentando a miséria.

Diante dessa realidade de retrocessos e estatísticas tão cruéis é preciso reafirmar a necessidade das mulheres negras de reorganização e fortalecimento no combate às desigualdades estruturais, com autonomia e independência. Por isso, é preciso unidade nas lutas com esse recorte de gênero, raça e classe.

Seguir o exemplo de Dandara e tantas outras que se rebelaram contra a escravidão sem nenhum acordo com os nossos algozes.

A CSP-Conlutas saúda a todas as mulheres negras do país e do mundo, com a exigência nas ruas e nas lutas por políticas e ações de mudanças sociais que eliminem a desigualdade racial e o o machismo.

Viva a luta das mulheres negras!

Fonte: CSP-Conlutas.

55 View