10 de julho de 2012
Por: Haroldo Lima


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Ato começou no Hucam e se dirigiu em caminhada à Ufes em defesa da educação pública de qualidade nesta terça, 10, em Vitória

Os servidores do Ifes, da Ufes, do Incaper estudantes e militantes dos movimentos sociais do campo saíram de Vitória na manhã desta terça-feira, 10, para lutar pela valorização da educação, do serviço público e contra a privatização do  Hospital Universitário Antonio Cassiano de Moraes (Hucam)/Hospital das Clínicas. O ato começou às 9h, no Hucam, com um abraço coletivo no hospital e seguiu rumo à Ufes, onde foi servido um almoço solidário na reitoria da universidade. Durante a manifestação, trabalhadores e estudantes conversaram com a população sobre a greve do servidores federais e convidaram o povo capixaba a se unir na defesa do Hucam. A mobilização foi organizada pelo Comando Unificado da Ifes, Ufes e DCE.

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O ato de hoje foi a primeira a ação conjunta do Comando Unificado com a participação dos servidores do Ifes. “É importante chamar a atenção da sociedade para a unificação dos servidores, pois a pauta é única, a valorização do serviço e do servidor público. Estamos aqui para denunciar as política equivocadas do governo para a educação e saúde”, explica o coordenador do Sinasefe, Tiago Camillo.

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No Hucam, os servidores denunciaram a tentativa do governo de privatização dos hospitais universitários por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, aprovada pelo Senado sob o Projeto de Lei 79/2011, que, na prática, abre espaço, nos hospitais universitários, para atendimentos particulares, prejudicando o atendimento público e gratuito. Para defender o hospital, a educação e conhecimento produzido por ele por meio das pesquisas desenvolvidas, os servidores deram um abraço coletivo no hospital. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Ufes, o Hospital das Clínicas hoje é referência em atendimento às população que acessam aos serviços do SUS de alta complexidade no Espírito Santo, Sul da Bahia, Norte do Rio de Janeiro e Oeste de Minas Gerais.

“A privatização do Hucam representa um prejuízo muito grande para todos nós. Além de privar a população de serviços básicos de saúde, o hospital vai ter que finalizar as atividades de ensino, pesquisa e extensão para vender serviços”, explica Wellington Pereira, coordenador do Sintufes.

Os servidores saíram em caminhada pelas Avenidas Marechal Campos, Maruípe, Nossa Senhora da Penha e Fernando Ferrari. Ao chegar à Ufes, o ato se concentrou na Reitoria da universidade para a celebração da luta pela valorização do serviço e do servidor público, em um almoço coletivo servido aos manifestantes. A população foi receptiva  com a manifestação buzinando e fazendo gestos de apoio ao passar pelo ato, que interditou uma faixa das vias da avenidas pelas quais passou. Segundo Raphael Goes, do Comando de Greve da Ufes, a aceitação acontece pois a população percebe que defender a saúde e a educação é uma causa justa: “Na medida em que as lutas se fortalecem, nós conseguimos mostrar para a população que os problemas não são uma coisa da natureza, mas uma política deliberada do governo que destina verbas para outros setores e não para a educação e para a saúde”.

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Estudantes de trinta universidades deflagraram greve até agora. “Não é só um movimento em solidariedade aos docentes e outras categorias do serviço público, mas uma luta contra a privatização e a expansão desordenada das escolas promovida pelo governo”, afirma Vitor Noronha, do Comando de Greve dos Estudantes da Ufes.

Docentes do ensino fundamental e médio da Grande Vitória, trabalhadores do Incaper, também em greve, e a Via Campesina fortaleceram o ato. A professora do ensino fundamental da prefeitura de Cariacica, Úrsula Cândida Rola, participou do ato e enfatizou a necessidade de unificação dos servidores públicos e em especial os trabalhadores da educação e estudantes pela valorização da educação. “A precarização da educação começa por baixo e atinge as universidades e institutos federais, isso mostra que a educação não tem valor no modelo de estado brasileiro, por isso precisamos questionar a postura do governo e cobrar compromisso com os direitos da população”, finaliza a professora.

Servidores do Incaper participaram do ato, “assim como os servidores federais estão em greve, os servidores estaduais também estão na luta. Sofremos da mesma política de descaso com os servidores públicos e nos somamos às demais categorias em defesa de um funcionalismo público de qualidade, pois a prestação de bons serviços depende de profissionais valorizados”, afirmou o presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin), Samir Seródio.

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A Via Campesina, por meio do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), enfatizou a necessidade de unificação da luta do campo e da cidade para a consolidação de uma sociedade de uma sociedade livre de desigualdades sociais e destruição.  “Os aparelhos do estado como universidades, o Incaper e outros órgãos não estão trabalhando a serviço da população, e sim do agronegócio, isso denuncia o modelo predatório de sociedade em que vivemos. Precisamos de ciência e técnica voltadas para a construção de uma sociedade pautada pela agroecologia e fortalecimento do campo, por isso apoiamos a luta dos companheiros do Incaper, oprimidos por trabalharem em função da destruição impulsionada pelo agronegócio”, enfatiza a coordenação do MPA.

O Comando Unificado de Greve vai fazer uma vigília de 48 horas na reitoria para mostrar a insatisfação da comunidade acadêmica com a postura intransigente da presidente Dilma Rulssef, que nega negociar com os servidores. Os manifestantes já estão se organizando para pernoitar no prédio. No início da noite, serão montadas várias barracas de camping no hall de entrada, onde também será distribuído o jantar. Diversas atividades estão planejadas para ocorrer durante a ocupação. Ainda hoje à noite terá exibição de filme – Cinema da Greve, além de uma banda de forró, que promete animar a manifestação.

Com Informações do Comando de Greve do Incaper e da Adufes.

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