9 de setembro de 2022
Por: Comunicação


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Ato percorreu ruas da capital em um contraponto ao 7 de setembro 

 

Servidoras e servidores da base do Sinasefe Ifes foram às ruas somar forças ao 28º Grito dos Excluídos e Excluídas, em Vitória, no dia 7 de setembro. O movimento questionou o bicentenário da Independência do Brasil e contou com a participação da população e de mais de 60 entidades da sociedade civil organizada, entre movimentos populares, sindicais, religiosos e demais organizações.

O Grito tem como tema permanente “Vida em primeiro lugar” e este ano reflete a herança da dependência social dois séculos após a proclamação da Independência do Brasil, com o lema: Brasil: 200 anos de (in)dependência. Para quem?

A coordenadora da pasta de Comunicação do Sinasefe Ifes, Cristina Mota Damasceno, que esteve presente no ato, destacou a importância da luta política no combate à desigualdade social. “Infelizmente nós estamos vivendo uma conjuntura de barbárie social e muitas pessoas não estão tendo acesso sequer à alimentação básica. Então vários movimentos e entidades sociais estão aqui nessa luta”, disse Cristina.

Desde 1995, o ato promove um contraponto ao “Grito do Ipiranga”, com objetivo de reverberar as vozes dos que não foram incorporados no processo de independência, fazendo do feriado nacional de 7 de setembro uma data de lutas.

Trajeto! Em Vitória, o ato partiu do Teatro Universitário da Ufes, no campus de Goiabeiras, realizou uma parada em frente à Petrobrás, na Avenida Nossa Senhora da Penha, e seguiu em direção à Praça Judith Braz Coutinho, em Gurigica, onde foi encerrada a atividade. O trajeto foi escolhido por simbolizar a união da juventude com o trabalhador, do campo com a cidade em defesa das riquezas e das estatais.

 

A luta por direitos
Entidades religiosas e não religiosas participaram da atividade. O coordenador do Fórum Igreja e Sociedade em Ação, Giovani Lívio, explicou que estiveram presentes no ato: centrais sindicais, sindicatos, movimentos populares, sociais, políticos, de mulheres, juventude, LGBTQIA+, movimento negro, quilombola, comunidades tradicionais, pastorais da Arquidiocese de Vitória, federação de associação de moradores, associações de moradores, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) e a União da Juventude Comunista (UJC).

As pautas do Grito contemplam temas como a defesa da democracia, a luta por inclusão e a defesa de políticas públicas que garantam dignidade às populações mais vulneráveis. “É um ato que mobiliza os gritos engasgados nas gargantas de todos os movimentos sociais, e esses gritos e pautas específicas foram contemplados nos eixos e blocos”, pontuou Giovani, destacando a organização do ato.

A marcha teve sete eixos de luta: Violência Estrutural; Dívida Pública, Dívidas Sociais e Direitos Humanos; Educação Popular e Trabalho de Base; Soberania Alimentar: Agricultura Familiar no Combate à Fome; Três Ts: Terra, Teto e Trabalho; Democracia Participativa e Democracia Representativa e, por último, Defesa dos Territórios; divididos em quatro blocos: Violência Estrutural; Educação Popular de Base e Soberania Popular.

Para o coordenador-geral do Sinasefe Ifes Thalismar Gonçalves, o 7 de setembro é uma data simbólica para refletir como alcançar a independência e a soberania do país. Para isso, ele destaca que é importante investir em educação, na reforma agrária e construir um projeto político popular.

“Por isso é importante estar junto com os movimentos sociais, outros sindicatos, as pastorais, para derrotar Bolsonaro e todo o seu projeto negacionista, anticientífico e antipopular. Derrotar o Bolsonaro é votar em Lula no primeiro turno. É fundamental! E o Sinasefe Ifes defende a candidatura do Lula, assim como o SINASEFE Nacional definiu em seu congresso nacional”, pontuou Thalismar. (O apoio do Sinasefe Ifes à candidatura de Lula foi aprovado em Assembleia Geral. Clique aqui e confira.)

Ação solidária
Em solidariedade à população que mais tem sofrido com a alta no preço dos alimentos, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com apoio da Campanha Paz e Pão, da Arquidiocese de Vitória, distribuiu alimentos. Os insumos foram arrecadados entre agricultores familiares, trabalhadores rurais dos assentamentos do MST e dos acampamentos.

O coordenador do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória e um dos organizadores do ato, o Padre Kelder Brandão, acredita que a diversidade das pessoas e organizações presentes no Grito é uma força muito importante de diálogo, interação e integração entre a pluralidade dos segmentos religiosos e sociais. Além disso, pontua é um momento de reflexão sobre a importância da participação política e a consciência crítica dos fiéis para avançar na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

 

“Por isso a nossa luta é permanente. Não há como fechar os olhos ante os desmandos e condições de sofrimento a que tantos irmãos e irmãs vivem submetidos. E no Brasil, ao invés de avançarmos, retrocedemos muito, voltamos ao Mapa Mundial da Fome. No nosso Estado, a violência continua ceifando vidas desmedidamente”, avalia.

Em Vitória, o Grito das Excluídas e Excluídos é convocado pelo fórum permanente Igreja e Sociedade em Ação, do Vicariato da arquidiocese da capital capixaba, com a representação dos movimentos sociais.

História
O Grito das Excluídas e Excluídos surgiu em 1995 durante a 2ª Semana Social Brasileira, evento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo lema era “a fraternidade e os excluídos”. O Grito é um conjunto de atividades que se encerram na manifestação do dia 7 de setembro.

“Antes se falava em pessoas marginalizadas e a igreja ousou naquele ano pautar a exclusão social por entender que não havia pessoas à margem da sociedade, mas havia uma sociedade que não incluía diversos segmentos sociais. Então o Grito jogou luz sobre a realidade de milhões de brasileiras e brasileiros não contemplados pelas políticas públicas necessárias, e a cada ano o Grito vem crescendo e ganhando força para além do segmento religioso. Hoje um leque muito grande de organizações e entidades sociais compõem a organização”, relata o padre Kelder Brandão.

O padre acrescenta que a data é muito aguardada tanto pastorais e movimentos sociais quanto pelas comunidades católicas, que se mobilizam para participar da atividade. Ele enfatiza que a dimensão política e social é inerente à fé cristã. “Não há como pensar o reino de Deus sem considerar a incidência política, institucional, nas realidades em que a igreja está inserida em todo o mundo. Por isso o Grito dos Excluídos e das Excluídas é tão importante para igreja e aguardado pelas comunidades e pastorais sociais”, frisa.

Confira fotos da atividade:


 

 

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