1 de novembro de 2012
Por: Haroldo Lima


Capixabas caminharam da Ufes até a Assembleia Legislativa cobrando justiça para o povo indígena brasileiro

Na noite da última terça-feira, 30, centenas de pessoas, entre indígenas, estudantes e trabalhadores, saíram em marcha pelas ruas de Vitória cobrando justiça para o povo Guarani-Kaiowá, que luta pelo reconhecimento e demarcação de suas terras na aldeia Pyelito Kue, no Mato Grosso do Sul. Os manifestantes saíram da Universidade Federal do Espírito Santo e percorreram as ruas da capital até a Assembleia Legislativa do estado, onde aconteceu o encerramento da marcha.

“Não aceitaremos que o genocídio contra os povos indígenas continue e é por isso que estamos aqui. Vamos fortalecer a nossa corrente, porque a sociedade já não aguenta a violência e o massacre que vem acontecendo contra o nosso povo guarani e Kaiowá”, afirma o Cacique Wera Kwaray, da aldeia Guarani de Boa Esperança, localizada no norte do estado.

Para o Cacique, a manifestação fortalece não apenas a luta dos indígenas do Mato Grosso do Sul, mas de todo o povo Guarani que resiste no continente latino-americano. “Quando falamos do povo indígena Guarani, independente de região, estamos falando de um mesmo ‘tronco’, porque para nós não existe fronteira, a nossa terra é a terra na qual pisamos, que se estende por todo o continente latino-americano. Quem fez essa divisão de estados e países foi a classe dominante, violando o direitos do povo que vivia nesse território”.

INDÍGENAS AGUARDAM DEMARCAÇÃO

Depois forte pressão popular com manifestações em todo o país, o Tribunal Federal de Justiça cassou nesta terça-feira, 30, a ordem de despejo que determinava a reintegração da posse das terras ocupadas pelos indígenas – acampados provisoriamente na Fazenda Cambará, às margens do rio Hovy, no município de Nivaraí – e autorizou a permanência dos índios no local até que sejam concluídos os estudos tecnológicos sobre o território reivindicado. Na mesma data, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, anunciou durante a reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) que os estudos fundiários já estão sendo concluídos e atestam que a área em disputa é território indígena. Apesar disso, a demarcação definitiva não tem prazo para ocorrer, já que o laudo pode ser contestado pelo estado, pelo município e pelos próprios fazendeiros, em recursos intermináveis.

Para o advogado Arthur Moreira, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos, ainda é preciso muita luta e organização dos setores envolvidos na defesa dos povos indígenas para que demarcação das terras se concretize.

“O Poder Judiciário tem estado distante das demandas da população, atuando, muitas vezes, em favor das elites. Esperamos que a Justiça cumpra a constituição brasileira, que é muito clara ao dizer que é necessário que o governo demarque os territórios ocupados pelas populações indígenas e garanta o direito dessas populações permanecerem nesses locais”, afirma Moreira.

Fonte: Bancarios ES

 

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