20 de outubro de 2021
Por: Comunicação


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Estão abertas as inscrições para participar do grupo, que também ficará responsável por participar das reuniões com a gestão do Instituto. Confira e participe!


“A reforma do ensino médio vem no sentido de dissolver, de corroer, de liquidificar as bases da educação profissional técnica integrada ao ensino médio”. Com essa síntese, o professor Marcelo Lima, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), abriu uma análise sobre a mudança do ensino médio e os impactos no Ifes. O tema foi discutido em assembleia geral da categoria no dia 15, e a base aprovou, entre outros encaminhamentos, a criação de uma comissão com o objetivo de produzir um documento crítico ao novo ensino médio. 

O grupo será responsável por elaborar o material e participar das reuniões com a gestão do Ifes. O sindicato informa que estão abertas as inscrições para participação da comissão. O/a servidor/a interessado deve enviar um e-mail para o sindicato e demonstrar o interesse: [email protected].

O debate no Sinasefe Ifes acontece em meio às discussões que vêm sendo feitas pelo Instituto. A entidade de ensino produziu uma minuta em que apresenta mudanças para o ensino médio técnico. Entre as modificações, está, por exemplo, a revisão dos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs), como observa Marcelo, que é doutor em Educação e professor do Centro de Educação da Ufes.  

“A minuta diz que todos os PPCs devem ser revisados. Pelo contrário, a sua revisão deve ser adiada, e deve haver um movimento de autonormatização, para que esses PPCs sejam revisados no sentido do fortalecimento do ensino médio integrado, e não pela substituição pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular)l”, pontua o docente da Ufes.

Confira a avaliação do professor: 

Entre outros pontos apontados por Lima, estão, por exemplo, a destruição da própria identidade do Ifes, que além da excelência na educação, é reconhecido pela infraestrutura, e com a possibilidade do ensino EAD, isso vai acabar se perdendo. Bem como a qualidade dos recursos humanos, o que também está em xeque, com a permissão de docência por profissionais com “notório saber”. 

Após uma análise geral do professor, a base discutiu outros detalhes importantes, como a situação dos professores de filosofia e sociologia e da área de humanas no geral. O professor de filosofia Arlindo Rodrigues Picoli, do campus de Alegre, destacou que os professores da área estão acompanhando a minuta “com muita preocupação” e que o Instituto apresenta informações contraditórias. Os profissionais estão participando de reuniões com a Reitoria para tratar do assunto. 

“O texto é contraditório em relação ao que é dito. No texto, por exemplo, fala que Artes será obrigatória, mas Sociologia e Filosofia serão “estudos e práticas”, então, queremos entender isso. Um dos argumentos que eles colocaram e não convenceram a gente é que eles seguiram o que está na Lei, o que ficou muito vago para nós. A área de humanas está muito preocupada com isso, porque já sentiu que vai começar a perder espaço, porque estamos dentro de um instituto de educação profissional”, destacou Picoli.

Encaminhamentos

Após as discussões, a base aprovou, como encaminhamento, a construção de uma comissão para elaborar um documento que pontue o processo e os riscos dessa discussão no Instituto, tendo como base os acúmulos do Fórum dos Professores de Sociologia e Filosofia e das pontuações do professor Marcelo Lima. Junto ao documento, será solicitada que a discussão seja suspensa no Ifes, tendo em vista o contexto que a instituição se encontra, como o retorno das atividades presenciais. 

Também foi aprovada uma reunião com a gestão do Ifes para fazer essa discussão e pontuar a crítica a partir de uma entidade classista, que se preocupa com os trabalhadores/as e com a educação pública gratuita de qualidade. 

A categoria ainda aprovou a produção de matérias a fim de mobilizar os professores e professoras para a discussão. 

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