1 de junho de 2020
Por: Comunicação


Luís Alberto Bassoli*

Assistente de Aluno do Ifes – Campus Montanha

Depois de anos provocados pelas ideias de ‘inovação’, ‘mudar o mindset’, ‘pensar fora da caixinha’, tais ideias passaram a fazer sentido e serem mais necessárias do que foram até hoje.

A crise covídica pegou a ‘quase’ todos de surpresa, já que excluo os epidemiologistas dessa. Se for para tentar fazer uma comparação histórica, ela foi como a Primeira Guerra Mundial para a geração da ‘belle epoque’ do início do Século XX. Tudo caminhava de vento em popa, mas houve para nós um vírus no meio do caminho.

Navegar é preciso, viver não é preciso, já ensinou o Pessoa.

Nada indica que voltaremos ‘as salas de aula em breve. Falar em ‘pico de contaminação no Brasil’ é algo típico do nosso falso ‘federalismo unitarista’. Enquanto nem mesmo sabemos quantos brasileiros já foram contaminados pelo novo Coronavírus, o que se passa hoje em São Paulo ainda não é o que acontece em Manaus. O Rio de Janeiro se aproxima de uma crise da saúde pública, mas não é São Luís do Maranhão. BH está muito bem, melhor que a Grande Vitória, mas não é como a região do Campus de nossa ‘Grande Montanha’, que chega até Minas e Bahia.

Resumindo – Serão crises de contágio diferenciados dentro do país e/ou dentro do estado. O problema é que são regiões interligadas, e sendo assim, a propagação será sempre um risco. Sem contar a ‘re-propagação’.

Digo isso pensando em um país ‘governado’, que não é o caso do Brasil.

Portanto, me parece uma ilusão negacionista pensar que em breve estaremos em sala de aula, ensinando nossos alunos. Pelo menos se formos seguir os princípios de segurança epidemiológica, que proteja a vida das pessoas de se contaminarem de uma doença que cada dia traz uma novidade.

Por outro lado, não podemos negar os limites impostos aos que vivem em situação de vulnerabilidade as atividades à distância, por exemplo, até mesmo em ter um lugar dentro de casa para estudar, quando o prédio escolar era uma espécie de refúgio em suas dificuldades. Sem contar o acesso à sinal de internet com qualidade e com equipamento adequado. 

As escolas, e penso no Ifes em especial, têm diante de si a oportunidade de PENSAR como lidar com uma crise que 

  • Não tem prazo para acabar
  • Tornou nossos campi físicos quase obsoletos, ao menos temporariamente
  • Exige muito de nossa capacidade para tornar possível nossa atividade.

É hora de olhar novamente para nossos valores.¹

– Os Valores do Ifes são:

  • Comprometimento;
  • Cooperação;
  • Ética;
  • Excelência;
  • Inclusão;
  • Responsabilidade Social;
  • Sustentabilidade;
  • Transparência.

Eles apontam que temos um compromisso dar uma resposta a esta crise. Tal resposta exige que ajamos em cooperação e de forma ética, ou seja, considerando o outro.

O trabalho que iremos executar precisa ser de excelência, ainda que estejamos aprendendo a como trabalhar em educação num cenário completamente novo para nossa experiência. 

Esta prática educacional precisa por definição ser inclusiva, ou seja, pensar que todos os nossos alunos estão hoje fora da escola, e precisamos ter a responsabilidade social de trazer todos de novo ao ambiente escolar, que não será por muito tempo o físico, mas o virtual, que é o que nos resta. 

Assim, cabe agora ao Ifes, que somos nós, fazer com que o conhecimento circule entre todos os nossos alunos. Todos, sem exceção.

Se o conhecimento agora circulará por um bom tempo de forma não presencial, cabe ao poder público fazer com que todos tenham acesso.  

Assim, torna-se imperativo e urgente pensar em medidas que levem a inclusão digital a todas às famílias do Ifes. Isso tem que ser pensado campus por campus.

Como os alunos em situação de vulnerabilidade social já estão ‘mapeados’ por pesquisa social, é hora de fazer com que estes tenham acesso a sinal de internet de qualidade e equipamento para que possam estudar. 

Legalmente a procuradoria já entendeu ser possível buscar este atendimento. No PARECER AGU/PGF/PF-IFES/ESPS nº 041/2020: “21. Por fim, manifesta-se a Procuradoria Federal pela legalidade de que a Gestão leve a efeito um redesenho, em caráter temporário, das ações de assistência estudantil (inclusive com remanejamento das verbas porventura suspensas) caso entenda ser mais adequado para o enfrentamento do atual cenário de crise, podendo ensejar, inclusive, na criação temporária de programas extraordinários, tais como “auxílio emergencial”, ante o cenário de crise atual, e “auxílio inclusão digital”, este como forma de viabilizar o cenário que se avizinha de autorização, por parte do MEC, de substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus – COVID-19. Por óbvio, desde que os auxílios extraordinários sejam instituídos com critérios objetivos e definida justa metodologia de seleção dos alunos“.

Agora cabe a resposta técnica. Tablet na mão dos alunos? Sinal de internet acessível na cidade via rádio? Parceria com redes de telefonia? Acesso por meio de ‘terminais burros’? Com a palavra, os especialistas.

Só sei que a resposta que temos de dar fará a diferença para uma geração que foi ‘interrompida’ por uma pandemia, e que espera das instituições, especialmente as públicas, uma resposta que definirá que país, estado e cidade teremos em breve. 

Será uma sociedade com a ‘cara do Ifes’, ou com a cara da exclusão? 

———–

¹ – INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (Ifes). Plano de Integridade do Ifes. 2.3. Missão, visão, valores institucionais e diretrizes do Planejamento Estratégico. Vitória, 2019. Disponível em: <https://ifes.edu.br/documentos-institucionais/18463-plano-de-integridade-do-ifes >. Acesso em: 11 jul.
2019.

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*Este texto faz parte do projeto “Fala, Base!” e não reflete, necessariamente, a opinião do Sinasefe Ifes. O material é de inteira responsabilidade do autor.

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