9 de maio de 2020
Por: Comunicação


Sinasefe-Ifes ajudou a construir e também assina a nota, junto com inúmeras representações estudantis do Ifes, além de entidades de estudantes e trabalhadoras/es com abrangência no Espírito Santo e em todo o Brasil. LEIA A NOTA E ASSINE O DOCUMENTO contra a EaD no Ifes! #IFEScontraEaD

Foi divulgada nesta sábado, 9 de maio de 2020, uma nota de repúdio de grande representatividade contra a implantação das chamadas atividades curriculares não presenciais que a Reitoria do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) insiste em adotar de maneira atropelada, desconsiderando uma série de questões complexas que precisam ser debatidas em um processo democrático com toda a sua comunidade. O Instituto ignora a realidade da população brasileira e acentua a desigualdade e precarização do ensino público, uma vez que desconsidera aspectos sociais e econômicos que impactam no acesso à internet e outras tecnologias, assim como nos ambientes domésticos e na disponibilidade de tempo e condições para que se estude em casa em maio a uma pandemia de Covid-19 (coronavírus) que só avança em todo o Brasil.

LEIA A NOTA ABAIXO E CLIQUE AQUI PARA ASSINAR!!! IFEScontraEaD

NOTA DE REPÚDIO A IMPLEMENTAÇÃO DE ATIVIDADES PEDAGÓGICAS CURRICULARES NÃO PRESENCIAIS NO IFES DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

Caros estudantes, servidores e sociedade capixaba, a pandemia da COVID-19 tem afetado diversos aspectos da vida das pessoas. Até a data em que essa nota foi redigida (08/05/2020), já são mais de 135 mil casos confirmados no Brasil, com o total de 9.146 óbitos, números que aumentam rapidamente, não havendo sequer tempo para o luto. A pandemia nos mostra a importância da ação do Estado e das políticas públicas na área da saúde. Portanto, fica ainda mais evidente a relevância da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem atendido brasileiras e brasileiros preservando vidas. Além da necessidade de fortalecer as políticas de isolamento social, que mitigam o contágio do novo coronavírus. Acentua-se também a ineficiência do governo federal em fazer a adequada gestão das ações para a diminuição da velocidade do contágio da COVID-19, o que se vê nos pronunciamentos do presidente, nas tentativas de flexibilização e reabertura do comércio, assim como também no desmonte de nossa saúde pública e nos ataques à ciência brasileira.

Além dos impactos relacionados à saúde pública, o isolamento social tem trazido muitas discussões sobre suas consequências em diversos aspectos da sociedade brasileira, como a economia e a educação. É exatamente nesse cenário que extraímos da conjuntura política os impactos sobre a educação pública, mais especificamente no Ifes.

Necessário citar a política de sucateamento da educação pública pelo próprio Ministério da Educação (MEC), que compreende o fim do Programa “Ciências Sem Fronteiras”, severos cortes de bolsas do CNPq e de verbas. Nesse cenário ainda destacamos o projeto “Future-se” que nasce com promessas de privatização das Universidades e dos Institutos Federais, estando a educação pública federal em constante perigo.

A excludente proposição da adoção de atividades curriculares não presenciais em meio a pandemia, ignora a realidade do povo brasileiro. Uma vez que pelo menos 25% da população brasileira não tem acesso algum à internet, condição básica para a implementação da EaD (Educação à Distância), acentuando a desigualdade no acesso à educação e a precarização da qualidade do ensino. Aliada a manutenção das datas do Enem e a fala do ministro, de que “o Enem não serve para corrigir injustiças”, o que se tem é um cenário desolador para a educação pública, como se não bastassem os impactos diretos da pandemia que assola o país e o mundo inteiro.

A Reitoria do Instituto Federal do Espírito Santo encaminha os trâmites finais para a implementação das atividades curriculares não presenciais, sob a falácia de que a educação não pode parar. A solução é apresentada como única alternativa para o momento em que vivemos, respaldada numa pesquisa que não chegou a metade do contingente estudantil, tendo em vista que dos 22 mil estudantes, apenas 9 mil participaram do levantamento. Deixando-nos o seguinte questionamento: como iriam os alunos sem acesso à internet responder um formulário online?

Podemos mencionar diversos fatores que fragilizam a proposta em curso: falta de capacitação dos professores e pouca experiência na realização de aulas à distância; instabilidade do sistema Q-Acadêmico e complexidade do AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem (Moodle); inexistência de políticas concretas para a garantia, tanto da manutenção da qualidade no processo de ensino-aprendizagem, quanto do acesso do conteúdo pelos alunos que não possuem internet e computador ou smartphones para atender a necessidade de seus estudos; a necessidade de apoio pedagógico, atendimentos e monitorias.

Além dos fatores elencados, também é importante ressaltar os grupos de estudantes que serão mais impactos por essa política, tendo em vista as múltiplas realidades da comunidade estudantil do Ifes. Nesse sentido, referimo-nos aos alunos com necessidades específicas, moradores das periferias e das zonas rurais, de famílias de baixa renda e ainda do Proeja (Educação de Jovens e Adultos), que exemplificam que a proposta apresentada pela Reitoria não contempla as particularidades da realidade dos estudantes.

Também pesa contra a proposta a forma como a Reitoria conduziu o debate, construindo uma narrativa “democrática”, que sutilmente posicionava a Instituição rumo a aceitação das atividades curriculares não presenciais. Não levando em consideração os posicionamentos de diversas organizações e lideranças estudantis e do Sinasefe-Ifes, encerrando prematuramente o debate, enquanto permanecem diversos problemas sem as devidas soluções. O descontentamento da comunidade acadêmica também ficou evidente a partir dos posicionamentos de diversos fóruns e coletivos. No ingresso de cada aluno no Ifes é prometido a qualidade do ensino público federal, porém ao se propor a implementação, num teatro de democracia, a Reitoria quebra essa promessa, necessitando que novamente estudantes e servidores do Ifes se mostrem fortes na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade e para todos, por meio do movimento #IFEScontraEaD.

Por meio desta nota, manifestamos nosso repúdio a adoção das aulas não presenciais durante a pandemia e o clamor pelo adiamento do ENEM.

Assinam a nota de repúdio as seguintes entidades:

  1. SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Seção Ifes
  2. SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Seção Santa Teresa
  3. Centro Acadêmico Livre Elisa Lucinda – Campus Vitória
  4. Diretório Acadêmico Zacimba Gaba – Campus Vila Velha
  5. Centro Acadêmico dos Estudantes de Geologia – Nova Venécia
  6. Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental – Campus Ibatiba
  7. Grêmio Estudantil João Batista Kefler Pinotti – Campus Itapina
  8. Grêmio Nise da Silveira – Campus Vila Velha
  9. CAGEO, Mizael Fernandes de Oliveira – Campus Nova Venécia
  10. Centro Acadêmico 404 – Campus Serra
  11. Centro Acadêmico da Engenharia Mecânica – Ifes Campus Vitória
  12. Centro Acadêmico de Engenharia Civil – Campus Nova Venécia
  13. Estudantes e professores do PROEJA (Campus Vitória)
  14. Núcleo de Gênero e Diversidade (Campus Vitória)
  15. Curso de Hospedagem N36 Proeja Ifes Campus Vitória
  16. Curso de Hospedagem N37 Proeja – Ifes Campus Vitória
  17. Curso Técnico Guia de Turismo N30 Proeja vitoria
  18. Turma do Proeja – V 11 tecnico em seguranca do trabalho.
  19. Turma do Proeja – N 21 técnico em Metalúrgia.
  20. Turma do Proeja – N 32 Técnico Guia de Turismo.
  21. Turma do Proeja 3° período técnico em Metalúrgia.
  22. Centro Acadêmico de Engenharia Civil – Campus Nova Venécia
  23. Grêmio Anísio Teixeira (Campus Aracruz)
  24. Núcleo do Ifes do MPJ em Disparada – Movimento Popular de Juventude em Disparada
  25. ADMAP – Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas do Vale do Paraíba/SP
  26. ADUFES – Associação dos Docentes da Ufes
  27. AfirmAção Rede de Cursinhos Populares
  28. Andes Sindicato Nacional
  29. ANEL – Assembleia Nacional de Estudantes – LIVRE
  30. Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), Seção Vitória-ES
  31. Belas – Coletivo de mulheres de São Mateus – ES
  32. Belas – Coletivo de mulheres de São Mateus – ES
  33. CADH – Centro de apoio aos direitos humanos Valdício Barbosa dos Santos
  34. CDDH Serra
  35. Centro Acadêmico da Licenciatura em Matemática campus Vitória
  36. Centro de Estudo da Cultura Negra – CECUN
  37. Círculo Palmarino
  38. Coletivo de Assistentes Sociais do Ifes
  39. Coletivo de Negras e Negros do ifes Campus Vitória
  40. Coletivo Feminista de Guarapari Mulheres que Lutam
  41. Coletivo Mães Eficientes Somos Nós
  42. Conselho Regional de Serviço Social – 17ª região
  43. CSP Conlutas
  44. CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
  45. Cursinho Popular Teresa de Benguela
  46. DCE – Diretório Central dos Estudantes da UFES
  47. Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – Regional 3 Itapina
  48. Federação Democrática dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais;PE
  49. Federação dos Empregados Rurais/PE
  50. Federal Sindical e Democ. dos Trabalhadores nas Ind. Metalúrgicas de Minas Gerais
  51. Fejunes – Fórum Estadual da Juventude Negra
  52. Fórum Capixaba de Lutas Sociais
  53. Fórum de Educação de Jovens e Adultos
  54. Fórum de Mulheres do Espírito Santo – FOMES
  55. Fórum Nacional de Mulheres Negras- FNMN/ES
  56. Fórum Permanente de Educação Inclusiva
  57. Frente Estadual pelas Liberdades Democráticas
  58. Gepech – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação na Cidade e Humanidades
  59. Grupo de Pesquisa Pedagogia histórico-crítica e educação escolar (CE-Ufes)
  60. Instituto elimu-prof Cleber Maciel
  61. Instituto Mão na Massa
  62. Levante Popular da Juventude/ES
  63. MNDH ES Movimento Nacional dos Direitos Humanos no ES
  64. Movimento Luta Popular
  65. Movimento Nacional Quilombo, Raça e Classe – ES
  66. Movimento Negro Unificado- MNU
  67. Movimento Resistência Popular/DF
  68. Núcleo de Educação Infantil -NEDI/Ufes
  69. Núcleo do Ifes da Kizomba
  70. Núcleo Estadual de Mulheres Negras ES
  71. O CLCN-ES – Comitê de Lutas Contra o Neoliberalismo e Pelo Socialismo
  72. Os APNs – Agentes de Pastoral Negro do Brasil
  73. Sindicato dos Ceramistas de Monte Carmelo/MG
  74. Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu/RJ
  75. Sindicato dos Empregados  em Estabelecimentos de Saúde de Itajubá e Região/MG
  76. Sindicato dos Empregados da Prefeitura Municipal de Passos de Minas/MG
  77. Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de BH e Região/MG
  78. Sindicato dos Empregados no Comércio de Passo Fundo/RS
  79. Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul
  80. Sindicato dos Metalúrgicos  de Divinópolis/MG
  81. Sindicato dos Metalúrgicos  de Governador Valadares/MG
  82. Sindicato dos Metalúrgicos  de Ouro Preto/MG
  83. Sindicato dos Metalúrgicos  de Várzea de Palma/MG
  84. Sindicato dos Metalúrgicos de Itajubá e Região/MG
  85. Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna/MG
  86. Sindicato dos Metalúrgicos de Pirapora/MG
  87. Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região/SP
  88. Sindicato dos Metalúrgicos de Três Marias/MG
  89. Sindicato dos Municipários de Sta Bárbara do Sul/RS
  90. Sindicato dos Odontologistas do Estado do Ceará
  91. Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas
  92. Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo – Sindipetro ES
  93. Sindicato dos Prof. Enferm. E Empregados em Hospitais, Clínicas de Saúde de Divinópolis/MG
  94. Sindicato dos Servidores da Saúde do Estado do Rio Grande do Norte
  95. Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso
  96. Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal em Alagoas
  97. Sindicato dos Servidores Públicos de Betim/MG
  98. Sindicato dos Servidores Públicos de Monte Carmelo/MG
  99. Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Trabalho, Saúde e Previdência/PR
  100. Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ararinha/PE
  101. Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Capela/SE
  102. Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Fortaleza de Minas/MG
  103. Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juazeiro do Norte/CE
  104. Sindicato dos Sociólogos do Piauí
  105. Sindicato dos Trab. em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte/MG
  106. Sindicato dos Trab. Empresas de Assessoria, Pesquisa, Perícias e Informações – SINTAPPI/MG
  107. Sindicato dos Trabalhadores  da Ind. Da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza
  108. Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e do Mobiliário/RR
  109. Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Rural/RJ
  110. Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Estado de São Paulo
  111. Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU no Maranhão
  112. Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal/BA
  113. Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Alagoinhas/BA
  114. Sindicato dos Trabalhadores em Educação e Divinópolis/MG
  115. Sindicato dos Trabalhadores em Educação Municipal de São José do Rio Preto/SP
  116. Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados no Estado do Rio Grande do Sul
  117. Sindicato dos Trabalhadores em Serviço de Saúde de Formiga/MG
  118. Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Ceará
  119. Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Corrreios e Telégrafos do Valeo do Paraíba/SP
  120. Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e Mobiliário de Belém-PA
  121. Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Confecção Feminina de Fortaleza/CE
  122. Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo/PA, AM, MA, AP
  123. Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transp. Rodoviário de Passag. Intermun. do Estado do Ceará
  124. Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cimento, Cal, Gesso e Cerâmica do Município de Aracaju/SE
  125. Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Goiás
  126. Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Limoeiro do Norte/CE
  127. Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais de Jacareí/SP
  128. Sindicato Intermunicipal Agentes Comunitários de Saúde, Combate as Endemias da Região de Mato Grande/RN
  129. Sindicato Metabase dos Inconfoidentes/MG
  130. Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife/PE
  131. Sindifpi – Sindicato dos Docentes do IFPI
  132. UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
  133. UNE – União Nacional dos Estudantes
  134. União de Negras e Negros pela Igualdade -UNEGRO-ES
  135. Centro Acadêmico de Engenharia e Controle de Automação do Campus Linhares
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