22 de outubro de 2019
Por: Comunicação


Apontamentos aconteceram no 1º Encontro de Mulheres da base do sindicato, que teve como encaminhamento a realização anual da atividade

Um momento histórico que alertou para os casos de violência, desigualdades para as mulheres no mercado de trabalho e na participação efetiva dos sindicatos. Assim foi o 1º Encontro de Mulheres da base do Sinasefe Ifes, filiado à Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), que ocorreu na sexta-feira (18), no mini-auditório do Ifes, em Vitória. O evento reuniu sindicalizadas e não sindicalizadas do Ifes, Criarte e Eames, trabalhadoras terceirizadas que atuam no Instituto, funcionárias e estagiárias do sindicato.

Durante todo o dia, elas também debateram diversos temas, como violência doméstica, falta de creches públicas, assédio sexual e moral nos Institutos Federais, na universidade, nos sindicatos e nas escolas. Além disso, debateram também a necessidade de enfrentar os constantes ataques do Governo Federal, que impõe legislações que prejudicam e precarizam os direitos das mulheres, como é o caso das reformas Trabalhista e da Previdência.

Mulheres e luta sindical

A primeira mesa do encontro “Mulheres e luta sindical”, debateu a presença das mulheres nos movimentos e os desafios da ocupação feminina no sindicato.

Para Rita Lima, uma das palestrantes, diretora de organização dos Sindibancários e membro do Coletivo de Mulheres, a questão de gênero entrou em debate nos sindicatos em 1986. “Com as mobilizações das trabalhadoras e lideranças sindicais foi aprovada, no 2º CONCUT, a criação da Comissão Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora da CUT”, explicou, citando que a central também aprovou nos anos 90 a política de cotas e a paridade nos cargos. “Mas não significou mudança nos privilégios masculinos, pois para isso é necessário aperfeiçoar a democracia sindical transformando um direito em potencial em direito efetivamente exercido”, frisou Rita, que também ocupa a Secretaria de Combate às Opressões.

A professora do Serviço Social da Ufes Juliana Iglesias Melim, que também integrou a mesa, relatou que em 2017, após diversas denúncias de assédio sexual durante um Congresso do ANDES-SN, foi criada uma Comissão de Ética para apurar os casos de abuso nos espaços de debate do Sindicato Nacional. Ela, que integra o grupo de trabalho (GT) de Gênero e Diversidade Sexual da sua Seção Sindical (Adufes), destacou que “é preciso combater os casos de assédio e outros tipos de violência no Sindicato”. Atentou para promoção de ações de conscientização e formação com os homens. A docente é coordenadora do Movimento Mulheres em Luta-ES e integrante da Secretaria da CSP-Conlutas/ES.

Mulher, saúde, direitos trabalhistas e previdência social

Após o almoço, na segunda mesa de debate, Lujan Miranda (advogada e membro do Instituto Genildo Batista – IGB e do Núcleo Capixaba da Auditoria Cidadã da Dívida), criticou a conivência do Estado com a violência contra a mulher, que nega direitos assegurados em lei desde a gestação até a velhice.

A precarização das garantias sociais das mulheres foi aprofundada com aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95. “Ela significou o desmonte do Estado e a pá de cal nas políticas públicas voltadas para a redução da desigualdade social”, pontuou. Lujan, no entanto, lembrou que nada disso foi feito sem que houvesse luta. “Nós, mulheres, estivemos na liderança contra a lei da terceirização, as reformas Trabalhista e da Previdência”.

Camila Valadão, assistente social e professora da Faculdade Salesiano, abordou a feminização da pobreza e o acesso das mulheres aos cargos políticos. Segundo ela, as pesquisas têm revelado que as mulheres apresentam taxas mais elevadas de pobreza. “Somos 70% dos pobres no mundo, realizamos 70% das horas de trabalho e recebemos apenas 10% dos rendimentos mundiais”. Valadão criticou a participação política das mulheres e a ocupação em cargos de poder que, estão, segundo ela, também, muito aquém.

“Sofremos violências físicas, simbólicas e sobrecarga de trabalho doméstico. Há ainda elevada discrepância de salários entre os homens e as mulheres, mesmo quando eles ocupam os mesmos cargos e funções”. Camila acredita que a combinação desses elementos justifica o fato de não conseguirmos ocupar espaços de poder na política, nem se eleger. Esses desafios, complementou a docente, “estão não apenas no eleitorado, mas nos partidos, majoritariamente liderados por figuras masculinas e brancas”.

Gestão paritária e a realização do primeiro encontro

A coordenadora-geral do Sinasefe Seção Ifes, Lucia Helena Pazzini de Souza, ressaltou durante o 1º Encontro de Mulheres da base do Sinasefe que o evento ocorre logo após a conquista da paridade de gênero nas representações e em cargos no Sinasefe Nacional e nas regionais. “É importante que nós mulheres que temos a compreensão da paridade e da inclusão das mulheres, sensibilizem e participem dos debates com as trabalhadoras e fortaleça o nosso sindicato”, disse emocionada em ver a presença das mulheres no encontro. Em 2016, a categoria aprovou a paridade nacionalmente.

A entidade nacional e as seções locais devem ter direções compostas por 50% de homens e 50% de mulheres, o que já está sendo cumprido pela atual gestão da Seção Ifes que tem paridade entre gêneros na diretoria. Lúcia convocou as mulheres para participarem do GT Identidade de Gênero e Orientação Sexual, Raça, Etnia e Trabalho Infantil. “O GT é fundamental para a organização do sindicato. Além disso, pode aprofundar as deliberações nacionais e em âmbito local, de acordo com a nossa realidade”.

Sobre a idealização do evento, Samanta Lopes Maciel, uma das organizadoras do encontro de mulheres e integrante do GT Identidade de Gênero e Orientação Sexual, lembrou que a proposta surgiu em 2014, durante a greve nacional do Sinasefe. “A capital capixaba, Vitória, sediaria o 1º Encontro Nacional de Mulheres do Sinasefe. Porém, o sindicato nacional não encaminhou a deliberação da categoria, alegando indisponibilidade financeira”.

O Encontro de Mulheres da base do Sinasefe Ifes avança na organização das mulheres da categoria e reafirma a necessidade da discussão sobre as opressões e, sobretudo, em relação a pauta das mulheres. “Precisamos aprofundar o debate e organizar as mulheres da base, fortalecer as nossas lutas e assim avançarmos neste cenário de tantos ataques aos direitos da classe trabalhadora”, finalizou Samanta que é TAE no campus São Mateus.

Diante das demandas expostas no 1º Encontro de Mulheres da base do sindicato, houve o encaminhamento pela realização anual da atividade. Já o Sinasefe Nacional realizará o 2º Encontro Nacional de Mulheres do sindicato, que também deverá será exclusivo para mulheres, cis e trans, no dia 13 de novembro deste ano, em Brasília-DF. O tema central do encontro é “Vivas, Livres e Resistentes”.

145 View