30 de setembro de 2020
Por: Comunicação


Share This Story !

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Seção Ifes, repudia a medida irresponsável do governador Renato Casagrande que autoriza o retorno das aulas presenciais da educação básica no Espírito Santo a partir de outubro (a rede privada tem autorização para retornar a partir do dia 05/10, enquanto a rede pública retornará a partir do dia 13/10). O Sinasefe Ifes entende que tal medida colocará em risco a vida dos estudantes, dos profissionais de educação e de seus familiares, uma vez que a pandemia, apesar da redução no número de contaminados e de mortes, ainda está longe de estar controlada. Segundo dados da própria Sesa, a média móvel DIÁRIA dos últimos 14 dias foi de 450 casos confirmados com quase 10 mortes por COVID-19 (conforme análise do Painel COVID-19 em 28/09). Nenhum modelo estatístico ou protocolo de segurança sanitária garantirá 100% das vidas dos estudantes, dos profissionais de educação e de seus familiares. Lembrando que no Espírito Santo cerca de 130 mil pessoas foram contaminadas e mais de 3.500 morreram em decorrência da COVID-19 até o momento. 

O Governo Estadual anunciou que o retorno das aulas presenciais deverá obedecer a um rígido protocolo de segurança sanitária e, no caso da rede estadual, haverá um revezamento semanal dos estudantes. Quem conhece um pouco do cotidiano dos estabelecimentos escolares da educação básica, envolvendo crianças e adolescentes, reconhece as fragilidades de qualquer protocolo de segurança sanitária no contexto escolar. Além disso, milhares de estudantes e profissionais estarão expostos no deslocamento para as escolas no transporte coletivo. 

Experiências internacionais e a do Estado do Amazonas, pioneiro no retorno presencial das aulas no Brasil, têm demonstrado os limites dos protocolos de segurança sanitária para conter a contaminação pelo novo coronavírus. Na França foram fechadas mais de 70 escolas após o retorno presencial das aulas em maio e cerca de 22 escolas após retorno das férias, no início de setembro. No Amazonas, na segunda semana de retorno às aulas, cerca de 10% dos professores foram testados como positivos. 

Apesar de reconhecermos o espaço-tempo da escola como fundamental para o direito à educação, o retorno das aulas em plena pandemia representa o risco à vida dos estudantes, dos profissionais de educação e de seus familiares. Conforme diversas campanhas contra o retorno presencial, organizadas pelo Sinasefe Ifes e outras entidades, o ano letivo e aprendizagens se recuperam, vidas, não. No entanto, parece que o Governo Casagrande em vez de proteger a vida da população capixaba preferiu submeter às pressões empresariais e de pequenos grupos de pais de estudantes. 

Os educadores têm sido fortemente impactados direta e indiretamente pela pandemia. Os trabalhadores da educação estão cada vez estressados e adoecidos por conta das experiências de ensino remoto que estão submetidos, por conta da ampliação da carga horária e mudanças implicadas nesse novo formato de ensino. A proposta de retorno das aulas presenciais agravará ainda mais esse cenário para os educadores da rede estadual. A Sedu anunciou a implementação do ensino híbrido, envolvendo ensino presencial e atividades online. Nesse novo formato os profissionais de educação serão ainda penalizados, uma vez que terão que trabalhar cada vez mais. 

Por fim, o Sinasefe Ifes também presta solidariedade aos colegas educadores da rede privada e pública (estadual e municipal), aos estudantes e aos pais/responsáveis, que certamente estão angustiados e indignados. Como trabalhadoras e trabalhadores da educação, nos colocamos juntos na luta pela vida e pela educação pública! 

125 View