17 de maio de 2022
Por: Comunicação


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Mães presentes no 34º CONSINASEFE apresentam repúdio à organização do Congresso e à Direção Nacional

Nós, mães presentes no 34º CONSINASEFE, apresentamos nosso repúdio à organização do Congresso e à Direção Nacional pela forma como foi conduzido o acolhimento das mães e das crianças.

Inúmeras foram as falas apresentadas durante o evento reivindicando a necessidade do tensionamento nas relações de gênero no espaço sindical, entretanto garantir relações  de gênero equânimes passa, primordialmente, pela efetiva participação das mulheres e, em especial, mulheres que são mães.

O que nós e as nossas crianças vivenciamos neste congresso não só foi desrespeitoso e abusivo, mas configurou-se em uma efetiva tentativa de invisibilização feminina.

Mesmo considerando as dificuldades decorrentes do golpe sofrido pela comissão organizadora do congresso, algumas questões precisam ser pontuadas, pois atingiram de forma mais intensa às mães e seus filhos e filhas. São elas:

  1. A ausência de atendimento preferencial às mães e às crianças em espaços como check-in do hotel e filas para alimentação;
  2. Alocação de algumas mães com crianças pequenas no último andar do hotel com varandas sem telas de proteção e a ausência de camas para algumas das crianças nos quartos, pressupondo que elas deveriam se espremer com suas mães em camas de solteiro (no caso, foi oferecida apenas uma cama de solteiro para a mãe e a criança dormirem juntas);
  3. A falta de programação educacional , política e cultural para as crianças. Estamos num espaço de formação, não nos esqueçamos;
  4. A desconsideração de cardápio infantil e das restrições e alergias alimentares previamente informadas via formulário;
  5. A desconsideração de que havia crianças em diferentes faixas etárias, com a apresentação de um espaço que mal atendia às crianças pequenas e era totalmente inadequado às maiores;
  6. O horário de funcionamento da creche que, somado às constantes alterações na programação do evento com plenárias sem hora certa para começar e/ou terminar, acabaram por inviabilizar a participação das mães de forma plena;
  7. O não respeito aos horários de alimentação (almoço, jantar e lanche) e a não prioridade às crianças na hora do lanche da tarde, deixando algumas com fome. Além disso, a “temperatura” exageradamente baixa do ar-condicionado no suposto espaço de creche deixou o ambiente ainda mais hostil;
  8. E, finalmente, o esquecimento das mães e das crianças no que se refere ao jantar do último dia do Congresso (não havia jantar), destinando o buffet exclusivamente para a festa que se iniciaria às 23h, horário no qual as crianças já estariam dormindo e as mães impedidas de saírem de seus quartos por estarem acompanhando suas crianças.

Esses são alguns exemplos da hostilidade contra as mulheres no espaço do 34º CONSINASEFE.

Acreditamos que muitos desses problemas poderiam não ter ocorrido ou serem minimizados, caso se tivesse considerado convidar as mães com crianças no evento para as discussões que se destinaram à reorganização do Congresso diante dos problemas estruturais.

O não acolhimento das mães e suas crianças neste Congresso é o exemplo da tentativa constante da sociedade em invisibilizar e silenciar as mulheres, confinando-as ao ambiente doméstico. E é um grito que diz “nós não queremos mães aqui”. É um reflexo da reprodução de uma sociedade hostil e excludente às mulheres. Trata-se da pura reprodução do machismo que está enraizado em nossa sociedade e contra o qual tanto afirmamos lutar!

Por isso perguntamos a todes: A minha avó não foi vista, a minha mãe também não foi vista e agora chegou a minha vez? Será que chegou a nossa vez de sermos invizibilizadas também? Será que nos resta a exclusão da luta sindical por sermos mães? A essa pergunta respondemos: NÃO!

Ressaltamos, mais uma vez, que compreendemos as dificuldades enfrentadas em função do ocorrido à organização do evento, no entanto exigimos que o sindicato acolha e garanta a dignidade das mães e de suas crianças em todos os eventos de forma efetiva, sem retrocessos.

Por mais respeito às mulheres mães militantes!

Assinam esta nota:

Ana Lady da Silva – sindicalizada da base do Sintietfal
Ana Paula Blengini – sindicalizada da base do Sinasefe IF Fluminense
Cristiane Santana Silva – sindicalizada da base do Sinasefe IFSP
Danielly Maidana de Menezes Vieira – sindicalizada da base do Sinasefe IFSP
Gisele Peres – funcionária do Sinasefe IFSP
Laura Rocha – sindicalizada da base do Sinasefe IFMG
Maíra Ferreira Martins – sindicalizada da base do Sinasefe IFSP
Samanta Lopes Maciel – sindicalizada da base do Sinasefe IFES

Clique aqui e confira a nota em PDF.

Fonte: SINASEFE.

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