9 de novembro de 2020
Por: Comunicação


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Sinasefe Ifes repudia veemente os ataques e espera que o Ifes forneça orientações de cibersegurança os trabalhadores e trabalhadoras da instituição

No dia 14 de outubro, o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas do Ifes Campus Serra (Napne/Ifes) promovia a live “Educação Inclusiva e a Nova Política de Educação Especial-Decreto 10.502/2020”, pela plataforma Google Meet. E o que era para ser uma palestra educativa, acabou virando um show de horrores. Isso porque um grupo, em uma ação orquestrada,  invadiu o encontro. O Sinasefe Ifes repudia veemente as agressões aos profissionais e aos participantes do encontro. 

Conforme a mediadora da live, Carline Santos Borges, professora de Educação Especial do Ifes Campus Serra, o grupo mencionava o nome do presidente Jair Bolsonaro, falando “Bolsonaro, Bolsonaro”, além de exibir vídeo pornográficos e imagens que lembram o nazismo. “É como se tivessem pegado o controle da transmissão. Entraram umas cinco ou sete pessoas, e começaram a falar ‘Bolsonaro, Bolsonaro’. E depois começaram os vídeos de pornografia. Estava quase no final da live”, explica.

A invasão aconteceu quase no final do encontro, mas não foi possível finalizar os trabalhos da noite, porque o barulho era muito alto e não era possível ouvir a palestrante, relata Carline. Ione Aparecida Dias, servidora da Prefeitura Municipal de Cariacica, coordenadora da Inclusão Educacional do município e membro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva do ES, era quem falava durante o encontro, sobre a Nova Política de Educação Especial-Decreto 10.502/2020. 

“Eu fiquei com medo. Fiquei apavorada. Eu não sabia o que fazer. Eu fechei a página e imaginei que tivesse encerrado, mas um colega me ligou falando que não havia encerrado, e que era para fechar a live e trocar a senha de todos os meus emails. Teve ameaça, teve tudo, não consegui remover (os invasores), nem nada. Todo mundo ficou com medo. Ameaçaram pegar o cartão de crédito da Ione. Fiquei com medo de tudo. No outro dia, até comprei um antivírus e coloquei no meu computador”, desabafa a docente. Carline observa que foi registrado um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Cibernéticos (Polícia Civil). 

No dia 19 de agosto, aconteceu uma ação parecida. Psicólogos e psicólogas do Ifes realizavam a roda de conversa “Como ofertar cuidado emocional a quem está ao nosso redor?”, que também era transmitida pelo Google Meet. A live iniciou às 15h e estava prevista para acontecer até às 17h. Cerca de 20 minutos após o início, alguns usuários solicitaram entrada na sala, e foi quando começaram os ataques. 

Inicialmente, os invasores começam a gritar e a cantar durante a live. E após alguns minutos, um invasor interrompe a transmissão dos slides e começa a exibir um vídeo pornográfico. A moderadora da sala consegue identificar o responsável pela transmissão do vídeo e excluí-lo da sala. Em seguida, um dos outros invasores começa a gritar “você é piranha, vagabunda…”. 

Após alguns minutos, a moderadora do encontro consegue identificar todos os invasores e excluí-los da sala. As informações foram obtidas com a psicóloga Alini Altoé, que palestrava no momento da invasão. Além dos profissionais da psicologia, uma assistente social do Ifes participava do encontro. 

“Você fica mal e meio passado com tudo que aconteceu. Foi muito desagradável”, desabafa Alini. 

A psicóloga conta que ligou para o diretor de ensino do campus São Mateus para pegar informações sobre como proceder nesse caso, além de ter acionado a assessoria jurídica do Sinasefe Ifes. Foi montado um relatório e entregue ao diretor do campus de São Mateus, que ficou responsável por abrir o processo para solicitar um retorno da Reitoria. Alini entregou o documento no dia 21 de agosto, mas segue sem resposta, mesmo após cobrança de retorno, feita por e-mail no dia 2 de outubro. Conforme a psicóloga, não é possível ver o andamento do processo, pois está registrado como “restrito”.

“Sabemos que acontece essa violência cibernética, mas eu estava trabalhando. Até hoje não responderam. Eu não consigo ver o processo porque ele é restrito. Não deram retorno. A gente fica bastante chateada com tudo isso que tem acontecido, principalmente porque a gente sabe que não é um caso isolado”, conta Alini. 

A psicóloga ainda desabafa que a conta no G Suíte (que acessa o Google Meet) foi fornecida pela instituição. Ou seja, estava utilizando para trabalho e no horário de trabalho, porém, sem instruções de cibersegurança por parte do Ifes. “Mas, em nenhum momento a segurança foi ofertada pela instituição. A live era para os estudantes, para o trabalho, com a ferramenta institucional. E estamos usando nossas ferramentas: celulares, computadores, internet..”, finaliza. 

No dia 4 de junho, o Ifes forneceu o acesso aos serviços do Google (o G Suite, que inclui as plataformas da empresa, como o Meet) e da Microsoft para os servidores.  

Essas ações não são casos isolados. O Sinasefe Ifes recebeu informações de outras invasões. E o que chama atenção é o modus operandi das ações: sempre em grupo e com o fim de prejudicar os trabalhos educativos. As invasões, além de atrapalharem as atividades educativas de forma remota, que passaram a fazer parte da rotina da instituição em meio à pandemia, colocam os trabalhadores e trabalhadores e comunidade acadêmica em risco: moral, psicológico e até material. 

O Sinasefe Ifes repudia veemente os ataques aos profissionais e à Educação e espera que a administração do Ifes promova instruções de cibersegurança aos trabalhadores e trabalhadoras. 

Atuação do jurídico do Sinasefe

A Assessoria jurídica do Sinasefe Ifes destaca que, em casos similares de ataques, os servidores devem procurar a administração do Ifes. Isso porque o entendimento é que a instituição é a parte legítima para provocar a Polícia Federal, responsável por investigar esse tipo de situação, já que envolve servidores federais. Caso haja omissão do Ifes, o sindicato poderá fazer uma representação, inclusive no âmbito criminal.

O Sinasefe reforça ainda que a assessoria jurídica está à disposição para explicações e auxílio aos trabalhadores e trabalhadoras. E ainda ressalta que é possível realizar denúncias ao sindicato, por meio do e-mail: [email protected].

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