26 de junho de 2020
Por: Comunicação


Matérias abordarão desde as primeiras ações do Sindicato, até as grandes conquistas, greves, e participação nas lutas em torno de importantes temas nacionais

Foi no final da tarde de uma quinta-feira, mais precisamente às 18 horas do dia 26 de outubro de 1989, que 22 trabalhadoras/es do Ifes se reuniram e decidiram criar a Seção Sindical da Escola Técnica Federal do Espírito Santo, hoje Seção do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). A categoria no Espírito Santo se juntava às/aos colegas de todo o Brasil que em novembro do ano anterior começaram a se reunir por meio do Sinasefe Nacional, criado em 1988.

Todo esse movimento em torno dos sindicatos foi possível após a aprovação da Constituição Federal de 1988, a “Constituição Cidadã”, que consolidou o direito de sindicalização para servidoras/es públicas/os. O Brasil acabara de sair de uma longa, violenta e traumática ditadura civil-militar, que perseguiu, prendeu e matou opositores, restringindo atividades políticas livres e fundamentais, como a sindical. Em 1989, após mais de 25 anos, o povo brasileiro voltava finalmente a eleger um presidente da república por meio do voto direto.

Começava ali, no miniauditório do campus Vitória, em Jucutuquara, os 30 anos de história do Sinasefe Seção Ifes. Até então, a categoria se reunia em torno da Associação dos Servidores da Escola Técnica Federal do Espírito Santo (ASSETFES). A guinada rumo a uma luta sindical nascia tendo como princípio fundamental a defesa dos interesses da categoria que representa e a defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica, com referência social e em consonância com os interesses da classe trabalhadora.

Além disso, a missão incluía a liberdade de pensamento como direito inalienável da/o cidadã/o e o compromisso de desenvolver, organizar e apoiar ações que tivessem como objetivo melhorar as condições de vida e de trabalho para toda a classe trabalhadora, considerando aspectos políticos, educacionais, econômicos, sociais e culturais.

Esses compromissos continuam firmes como bandeiras da Seção Ifes e de toda a base no território brasileiro, acrescidas de questões relacionadas às especificidades regionais, considerando a dimensão do país e a diversidade e disparidades entre as diversas regiões.

A coordenadora-geral do Sinasefe Seção Ifes Lucia Helena Pazzini de Souza atua diretamente no sindicato, em diversas funções, desde 2007 e destaca que ela, assim como grande parte da categoria, tem uma relação afetiva com a entidade.

”Eu sei que os ganhos na carreira são resultado da luta sindical. Eu presenciei e continuo presenciando o que é ir pra rua, estar na linha de frente da luta por condições de trabalho, por melhorias salariais. E em todos esses anos fomos ampliando nossa atuação considerando as questões relacionadas à população negra, às mulheres, aos LGBTQI+. Elas impactam a nossa base que também é atravessada por essas temáticas. E também estamos atentos às demandas das/os estudantes. O sindicato tem compromisso com a base e responsabilidade com toda a comunidade acadêmica em seu entorno”, disse.

A matéria continua depois da imagem da ata de fundação do Sinasefe Seção Ifes.

Ata da assembleia que definiu a criação do Sindicato no Espírito Santo, em 1989. Foto: Reprodução Arquivo Sinasefe Seção Ifes

Diversidade

Com o tempo, novas bandeiras foram somadas aos princípios iniciais do Sindicato e a entidade soma-se a várias outras em pautas diversas relacionadas aos direitos humanos e à justiça social, além dos grandes temas importantes para a democracia brasileira e o direito à vida da população. Estas questões reverberam diretamente na categoria que o Sindicato representa, uma vez que as/os trabalhadoras/es não estão apartados do contexto social brasileiro e atuam em instituições que vêm ampliando o acesso de um público historicamente excluído da Educação Federal. Esta conquista é resultado da luta dos movimentos sociais, incluindo o sindicato, o que traz mais responsabilidades para o Sinasefe local e nacional. Hoje as bandeiras são diversas:

  • Educação pública, gratuita, de qualidade, laica, com referência social e em consonância com os interesses da classe trabalhadora;
  • Por uma sociedade sem exploração;
  • Democratização das Instituições Federais de Ensino (IFEs);
  • Redução da jornada de trabalho sem redução salarial;
  • Reajuste linear e constante da remuneração, não permitindo a redução salarial pela corrosão inflacionária;
  • Por uma Carreira Única dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação;
  • Paridade entre ativos e aposentados;
  • Contra todo tipo de discriminação e/ou intolerância racial, LGBTfóbica, de gênero, etc;
  • Autonomia da classe trabalhadora frente ao Estado.

Eames e Criarte

Além das/os trabalhadoras/es do Instituto, o Sinasefe Seção Ifes também representa as/os servidoras/es públicas/os da Escola de Aprendizes-marinheiros do Espírito Santo (Eames) e do Centro de Educação Infantil Criarte, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Isso foi possível porque dez anos após a fundação do Sinasefe Nacional, as seções passaram a receber a sindicalização de todos os trabalhadores e trabalhadoras da Rede Federal de Educação das instituições de 1º e 2º graus, mesmo que não relacionadas ao ensino técnico. Esta deliberação foi aprovada no 12º CONSINASEFE, realizado em Manaus-AM.

Série de matérias

Esta é a primeira de uma série de matérias que vai abordar desde as primeiras ações do Sinasefe Seção Ifes, até as grandes conquistas, greves, e participação nas lutas em torno de importantes temas nacionais. Além disso, o futuro do Sindicato e os novos desafios também serão abordados. As próximas matérias terão como temas: “Como tudo começou”; “Grandes greves, grandes conquistas / Sinasefe Seção Ifes presente nas grandes lutas nacionais”; e “A expansão do Ifes e os novos desafios / O presente e o futuro da luta sindical no Ifes”.

121 View